quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

 Mente sã, corpo são: 
Claudia Raia fala sobre beleza, corpo, equilíbrio e família 
A icônica atriz de 50 anos revela à Vogue seus segredos para uma vida bem-sucedida dentro e fora das telinhas  
Por Larissa Gargaro
Não faz nem um mês que Claudia Raia completou 50 anos, mas fazem décadas que ela figura como ícone de beleza, forma e elegância no hall da fama do Brasil. 
Dona de um corpo invejável e atitude item - mesmo sem descer do salto, ela é famosa pela personalidade espontânea e divertida -, a atriz conversou com a Vogue sobre beleza, corpo, equilíbrio e, claro, família (Claudia é mãe de Sophia, 14, e Enzo, 19). 
 Quando chega o verão, a maioria das mulheres inicia aquela corrida pelo corpo perfeito para colocar o biquíni. Mas você tem um corpo impecável o ano inteiro, faça frio ou calor – é impressionante! Como é sua rotina de exercícios atual?
 Um corpo não se constrói numa estação, um corpo se constrói uma vida inteira. E uma vida inteira de exercícios, boa alimentação, de uma vida disciplinada, saudável. É muito louco isso, porque as pessoas acham que existe milagre. “Agora vou ficar duas semanas sem comer e vou ficar magra”. Não é assim. O corpo tem um tempo de entender, o corpo tem células adiposas que foram adquiridas naqueles anos todos que você comeu. Não é assim. Mas tem o milagre da boca. Agora boca fechada sem exercício não quer dizer muita coisa. Significa uma musculatura mole, sem ser trabalhada. Então é uma coisa aliada à outra. Eu, por exemplo, vivo da minha imagem, preciso estar legal. Mas também quanto tenho vontade de comer, eu como, se eu saio bebo um vinho, antes eu não bebia. Tudo vivendo como tem que ser, mas atenta a isso. Porque para voltar é complicado. O preço é alto e o corpo cobra de maneira bem intensa, bem dura. 

 Corpo são, mente sã: qual é o seu truque para manter a tranquilidade e a cabeça no lugar mesmo vivendo sob os holofotes? 
 Olha, eu diria que mente sã, corpo são. Porque quem comanda o corpo é a mente, na verdade. Ele é apenas um instrumento, como uma máquina, ele funciona dessa maneira. Mas o emocional é o mais importante de tudo. Então, para mim, nunca atrapalhou essa coisa de holofotes, de paparazzi, nunca me incomodou por eu quis isso. Eu quero essa carreira, eu gosto dessa carreira. Gosto que as pessoas venham falar comigo, eu gosto de gente. Gosto de trocar ideia, de saber o que o meu público pensa. Se as pessoas estão curtindo aquele personagem, se estão envolvidas. Acho que esse trabalho do ator é um trabalho muito bonito, porque é como ser um médico da alma. Você está ali para curar, transformar as pessoas, naquele momento que faz uma cena e conta uma história. Eu amo isso. Então não me incomoda, até porque quem dá o limite sou eu para essas coisas chatas, e daqui não vão passar. Porque eu não vou deixar. Lido com isso de maneira muito leve, nunca tive problema algum. 

 Você tem algum mantra de vida? 
Eu sou budista há mais de 20 anos. O meu mantra é o mantra do budismo “Nam-myoho-rengue-kyo”, que quer dizer “Peço perdão de todas as minhas causas passadas, harmonia com o Universo e fusão com Deus.” E é o meu lema de vida. Estar plantando o amor em tudo o que faz, ajudar o outro, estender a mão e também aplaudir o momento do outro, saber enaltecer. Porque aí a vida fica tão bacana, sem desejar o lugar da outra pessoa, sabe? Você vive em paz consigo e ajuda todo mundo. Porque assim é a vida. A gente ajuda hoje e amanhã é ajudado.

 Qual é a sua motivação para sair de casa e se exercitar quando a preguiça bate?
 Claro que a preguiça bate, isso em qualquer um. Mas eu nunca deixei isso acontecer. Hoje então, amor, com 50 anos, eu olho e falo: “Gente, cinquenta! Meio século (risos)”. Não temos tempo para preguiça, não podemos perder tempo com isso. Tenho que estar correndo atrás do atraso; o metabolismo não é mais o mesmo. E aí vem aquele meu lado capricorniano, disciplinado, e eu me levanto como uma leoa e vou! 

 Qual comida (ou bebida) faz com que você perca a linha? 
A comida que me faz perder a linha é arroz, risoto. Eu amo. E arroz é uma coisa que não tem graça nenhuma, porque ele só tem amido, o índice glicêmico dele é altíssimo, não serve para nada o arroz. Mas me dá um prazer! Eu sou capaz de comer uma panela inteira de arroz feitinho na hora. Eu mato por um arroz! Mas não posso, só eventualmente. 
 Costuma seguir alguma dieta? Como é a sua alimentação atualmente?
 Sim, eu sigo uma dieta e tenho uma nutri que é uma sargenta! (risos). Se chama Gabriela Ghedini. É adorável. Mas que tem que segurar a minha cabeça, sabe? Porque eu gosto de comer. Sou filha e neta de italianos, eu amo comer. Para mim todas as relações se constroem ao redor de uma mesa, comendo. Então eu tenho que voltar o meu foco para outra coisa. E essa minha nutri maravilhosa, me ajuda com isso. Ela me diz o que eu estou conseguindo de bacana e como vale a pena continuar com a disciplina. Às vezes, é claro, como o que não devo, saio da dieta, mas são e-v-e-n-t-o-s! Você não apenas é bela de corpo, mas também é bela de espírito – algo que vai além de idade ou fama. 

Que traços da sua personalidade você sente que se acentuaram com a chegada dos 50?
 Acho que com a maturidade tudo se potencializa. Tanto os defeitos, como as qualidades. O que mais estou gostando nessa fase é estar no que chamo de “modo econômico”. Falar menos, me colocar menos, mas o que não significa ter menos energia, e sim qualidade. Acho que hoje as minhas atitudes são mais pontuais, sou mais certeira nas minhas escolhas. E um pouco menos ansiosa, também. Porque antes tudo eu queria, queria desbravar o mundo e sabe, até continuo assim, porque tenho alma de 13 anos de idade, sou adolescente de temperamento. Mas agora, uma adolescente um pouco mais madura... Tem sido muito legal essa junção, dessa minha energia jovem com a maturidade. Estou gostando do “modo econômico”. Acho que me acalma, me faz melhor. 

 Em que aspectos a sua filha Sophia é parecida com você? 
A Sophia é um ser individual, maravilhosa, incrível. Mas é evidente que ela vai pegar muita coisa minha e do Edson. Ela é bem parecida comigo em temperamento, jeito, maneira de pensar e também tem traços bacanas que são bem fortes no Edson. É uma menininha bacana, conservadora, respeitosa. Mas ela também tem muito o meu humor, a minha audácia. 

É uma mistureba boa, que virou o quê?
 Uma Sophia, individual. Não é uma Claudinha, é uma Sophia. 

 E quais traços da personalidade dela são completamente diferentes? 
Às vezes ela é muito cerimoniosa, introspectiva para alguns assuntos. Ela quer os assuntos íntimos só para ela. Isso é muito do Edson. Ela é muito conservadora. E eu já sou essa festa. Falo com todo mundo, divido com todo mundo. Ela não, é mais introspectiva um pouquinho. Acho que essa é a diferença. 

 Você também tem um filho grande já. Em tempos que se fala tanto sobre feminismo e tolerância às diversidades, quais os valores que você busca passar para que ele seja sempre um cara bacana, do bem? 
Ele se tornou um homem muito bacana. Primeiramente um homem extremamente delicado, gentil, educado. Sabe tratar uma mulher, foi bem treinado para isso, modéstia à parte (risos). Ele realmente é muito gente boa. Nada preconceituoso, porque foram criados assim. Eu e Edson somos completamente contra qualquer tipo de diferença, de preconceito. Então eles têm isso muito claro, e defendem com unhas e dentes. Acho que está tudo ali, está tudo dentro deles. Na hora é só viver.

 Quais as características que te fazem sentir mais orgulho nos seus filhos?
 O caráter deles. São pessoas que não se vendem por nada. Os valores aparecem muito bem construídos, sabe? Pelo menos até agora. O caráter e a honestidade dos dois.

FONTE/VOGUE

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