quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

 Rodrigo Santoro: 
"Sinto falta de água de coco, de ir à feira com meu pai"
 Em entrevista exclusiva, Rodrigo Santoro elogia a namorada, a atriz Mel Fronckowiak, que espera o primeiro filho da casal, e afirma que, se pudesse, passaria 24 horas sendo o surfista Gabriel Medina

Por Raquel Pinheiro
 Aos 41 anos, Rodrigo Santoro se divide entre o Rio e Los Angeles, onde gravará no ano que vem a segunda temporada da série Westworld, da HBO. 
Feliz com a ótima repercussão de sua atuação como um caubói androide, ele conta que tem poucos - mas bons - amigos nos Estados Unidos. 
Elogia a namorada, a atriz Mel Fronckowiak, que espera o primeiro filho da casal, e afirma que, se pudesse, passaria 24 horas sendo o surfista Gabriel Medina. 
Rodrigo recebeu QUEM com exclusividade no Rio, pouco antes de participar de evento como embaixador da Montblanc no Brasil.
 Sente muitas diferenças entre morar no Rio e em Los Angeles? 
Sim, sobretudo culturais. A segurança é algo que chama a atenção. Brinco que é um pouco a Disneylândia. Mas vai pedir uma banana-maçã: não sabem nem o que é isso. E americanos têm o afeto num lugar diferente. Procuro aprender bastante, mas estou sempre voltando para casa.

 Demorou até fazer um amigo de verdade nos Estados Unidos? 
Tenho bons amigos lá. Poucos, como sempre. Tem um que fiz logo no princípio. Era marido da minha professora de inglês. Hoje é um dos meus melhores amigos. Mas é italiano (risos)

 Então é afetividade mediterrânea...
 Sim, meu pai é italiano. Meus avós têm casa na Itália. Não tenho cidadania, mas eu quero tirar. Há uma cidade na Calábria, Paula, que tem vários Santoros. Na Calábria inteira tem muito Santoro. Já fui algumas vezes e adorei ser só mais um no meio de tantos.

 Fala bem italiano? 
Entendo melhor do que falo e, quando passo um tempo lá, começo a falar enferrujado. Não tenho fluência. Mas me viro. 

 Dá para pedir comida e xingar?
 Dá! Mas como entendo melhor, eu sei quando estão me xingando (risos). 

 Do que sente mais falta do Brasil, além da sua família? 
Sinto falta da rotina de surfar, jogar bola, tomar água de coco, ir à feira com meu pai (Francesco). As coisas mais simples da vida são as mais importantes mesmo.

 Nunca jogou bola em Los Angeles?
 Às vezes rola uma pelada, mas não me arrisco tanto. Já me machuquei e não foi engraçado.

 Você joga bem? 
Sou esforçado. Jogo de atacante ou lateral direito. Posso defender também. E se o goleiro faltar... (risos) Gosto também de jogar vôlei e até futevôlei eu já tentei. 

 Você é vascaíno. Vibrou com a volta do time à série A do Brasileirão?
 Muita alegria. Para subir tem que descer (risos)! 

 No dia a dia, você é da dupla calça e camiseta?
 No Rio, é isso. Uso cores, mas gosto de branco, preto, short. Uso chinelo e também ando muito descalço. 

 Então, como definiria o seu estilo? 
Preciso me sentir confortável. Não consigo usar nada em que não me sinta bem. Demorei muito para conseguir usar gravata fora de personagem ou em premières. Me incomodava. 

 Passou por algum grande mico na vida? 
Estava no tapete vermelho do Festival de Cannes, em 2008, e uma pessoa tropeçou atrás de mim, colocando a mão no meu ombro. Era Sharon Stone, que tinha quebrado o salto do sapato. Meu mico foi a cara que eu não consegui evitar fazer vendo que era uma mulher que, quando eu era adolescente, foi uma referência em vários sentidos. Gostaria de ter reagido com segurança, ter dito algo como “Sharon, como está, tudo bem? Vamos providenciar uma cola para seu salto”. Mas fiquei sem palavras. 

 Como foi 2016 para você?
 Fiquei feliz por ter feito Velho Chico e me reencontrar com o grande público. Tinha saudades de ser abordado e ouvir o que as pessoas têm a dizer.

 Se pudesse viver um dia na pele de outra pessoa, quem seria?
 (O campeão mundial de surfe) Gabriel Medina! Pegaria ondas alucinantes com aquele talento, iria para campeonatos! Brincaria de ser surfista profissional. Kelly Slater também. Dois surfistas incríveis. 

 Mel está na série 3%, no Netflix. Você dá dicas para ela?
 Dicas, não. A gente conversou um pouco sobre a série. Eu vi e achei que ela está muito bem. Fiquei muito feliz. 

Como é fazer Westworld?
 Eu me interessei pela proposta da série: a exploração da natureza humana e a relação com tecnologia e máquina. Os personagens são seres que existem em todos os lugares, com seus desejos e fantasias mais obscuros. Tem gente por aí assim, por mais assustador que pareça. A série me fez e ainda me faz pensar muito. 

 O elenco tem nomes como Anthony Hopkins e Ed Harris. Eles são tranquilos? 
Super! Para mim, Ed é um dos melhores atores, fiquei nervoso na hora de trabalhar com ele. Mas Ed é demais, é uma solidez em pessoa, um cara que olha com aquele olhão azul dentro do teu. É absolutamente acessível, generoso e normal. Os grandes são assim. Tive a oportunidade de trabalhar com pessoas incríveis e conviver com artistas de altíssimo nível. 

 Qual o lema da sua vida? 
O ser humano é complexo e a vida profunda demais para definir em uma frase. Posso falar de prática: ioga e meditação, que gosto de praticar diariamente. Não sou o Dalai Lama, não me dediquei somente a elas. Mas são práticas enriquecedoras, incríveis e transformadoras, que me ajudam muito.

FONTE/QUEM

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