segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

 Luciana Vendramini revela detalhes de sua história polêmica:
 "Tomava banho de até 11 horas de duração"
 A atriz e apresentadora foi paquita aos 16 anos e capa da Playboy aos 17. 
Namorou o maior pop star do Brasil quando ainda era menor de idade, conheceu a dor de ver um ex-namorado cometer suicídio e, durante três anos, sofreu de TOC. 

Depoimento a Natália Mestre
 Não entendia o que era ser paquita, as crianças alucinadas comigo... 
As outras meninas se deslumbraram, mas eu nunca me senti parte daquilo"
Minha mãe diz que eu sempre fui muito madura e precoce. Sou obrigada a concordar. 
Comecei a modelar com 15 anos, dava aulas de balé na adolescência, fui Paquita da Xuxa aos 16, posei pra Playboy com 17... 
Hoje, aos 42, já passei por tanta coisa que às vezes me sinto com 100 anos. 
Nasci em Jaú, interior de São Paulo. 
Tive uma infância maravilhosa e, na adolescência, me encantei pelo balé clássico. 
Com 15 anos, comecei a dar aulas pra crianças. 
Estudava, dançava e ensinava durante a semana. 
 O primeiro marco importante na linha do tempo da minha vida foi em outubro de 1986. 
Uma marca de roupas me convidou pra organizar um desfile com as alunas do balé, e a Xuxa, a grande estrela do desfile, me convidou pra trabalhar com ela. 
Eu ia ser paquita. E não fazia a menor ideia do que isso significava – meus pais, bastante rígidos, não gostavam que eu assistisse a TV. 
Eu queria muito encarar o desafio, meus pais entenderam e me deixaram ir. 
 Vida de paquita
 Pelo nosso trato, eu moraria na casa da Xuxa. 
Assim meus pais ficariam tranquilos, eu teria toda a estrutura, enfim... na época, éramos eu, Xuxa e sua mãe, dona Alda. 
Fiquei um ano lá. Então... a vida era tão corrida que mal parávamos em casa. 
Eu era obrigada a ir ao colégio de manhã, gravava o programa à tarde e, aos fins de semana, viajávamos para fazer shows. 
Xuxa e eu nos dávamos bem, me senti bastante acolhida especialmente no início. 
Mas nunca fomos superamigas e, com o tempo, nos distanciamos. 
Tanto que depois que saí do programa não tivemos mais qualquer contato. 
 Pra ser honesta, eu não tinha ideia do que representava ser paquita. 
Na minha cabeça, não fazia sentido aquelas crianças alucinadas comigo...
 E como eu era ingênua, meu Deus! 
As meninas eram bacanas, porém nunca consegui me enturmar de verdade. 
Então sempre acabava sobrando. 
Depois de um ano, saí do programa. Fui saída, na verdade. 
E não gostei nada da forma como foi feito. 
Me sentia cada vez mais excluída, foram me deixando de lado. 
Até que a Marlene Mattos conversou comigo, alegou que queriam renovar o time de paquitas. No fundo achei bom. 
Não tinha mesmo vontade nem clima para continuar ali.
 Já como ex-paquita, um novo marco: me convidaram pra ser Garota do Fantástico, um quadro/concurso do programa global em que eles gravavam um clipe com a pessoa. 
Foi engraçado ver os esforços da produção do programa pra transformar uma menina – eu tinha 17 anos! – num mulherão. 
Mas rolou, e passei a ser reconhecida como um símbolo sexual. 
 Então veio a capa da Playboy 1987: aos 17 anos, Lú faz sua primeira capa para a Playboy (a segunda foi em 2003)
 Dias depois, recebo uma ligação. Era um convite pra ser capa da Playboy, edição de dezembro de 1987.
 Fiquei muito empolgada! Óbvio que meus pais foram contra, mas eu estava decidida. 
Era o meu momento. Detalhe: eu tinha 17 anos. 
Não entendia o que a revista queria com uma menina magrela, sem bunda e sem peito. 
Mas o cachê era bom – comprei meu próprio apartamento e até um sítio! –, e eu tava louca pra mostrar que era moderna. 
Só que a sessão de fotos foi dramática. 
Nos primeiros três dias, não consegui tirar uma peça de roupa sequer. 
No quarto, com a equipe toda já de saco cheio o ensaio todo foi clicado em uma hora. 
Consigo ver claramente um ar de melancolia em todas as fotos... 
De repente, minha vida virou do avesso. 
 Homens ficavam de plantão na porta de casa, tinha cara que se vestia de entregador de pizza pra me ver.
 Na escola, perdi as amigas, e os meninos ficavam atrás de mim com a revista nas mãos. 
Não estava preparada. Decidi largar tudo, sair de circulação. 
Fui passar uns meses em Los Angeles, esperar a poeira baixar. 
Voltei pra me dedicar à carreira de atriz.
 Continuei modelando, mas meu foco passou a ser o teatro – entrei para o grupo do Antunes Filho.
 Vivia um momento ótimo, só faltava um amor...
 Foi quando conheci o Paulo [o cantor Paulo Ricardo, do grupo RPM].
 Luciana & Paulo, o it-couple 1983 - 1997
 Paulo foi meu primeiro amor. E foi um amor louco e intenso. 
Tinha 17 anos quando o escritor Marcelo Rubens Paiva, amigo comum, nos apresentou. Paulo estava com 27. 
Ele dizia que achava muito fofo irmos a um restaurante, ele pedir vinho e eu pedir suco de laranja... foram oito anos incríveis, só que cheios de ciúmes dos dois lados. 
Até tentávamos nos preservar, mas era impossível escapar da loucura. 
Paulo estava no auge, eu estava fazendo novela na Globo. 
Era muito assédio em cima de nós. De repente me vi a fim de viver coisas novas. 
Terminamos quando eu tinha 25 anos. 
Fiquei muito chateada na época da separação porque acabei emagrecendo bastante e me acusaram de estar cheirando cocaína. 
Quem me conhece sabe que nunca usei droga.
 Paulo nunca me ofereceu nada e jamais usou perto de mim porque sabia que eu era contra.
 Não fui feita pra isso, morro de medo de entrar numa onda errada. 
Hoje sei que eu já estava num processo mascarado de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). 
Era o começo da pior fase da minha vida. 
Cem tipos de manias e banhos de 11 horas .
Ter TOC é basicamente ver nascer, a cada dia, uma nova mania: ter que subir e descer de elevador várias vezes, lavar as mãos toda hora, tomar banhos sem-fim. 
Os rituais atingiram um grau tão elevado que, durante três anos, de 1999 a 2002, não saía mais de casa, parei de trabalhar.
 Apenas meus pais e minha irmã Miriam ficaram ao meu lado, me assistindo dormir e acordar pra repetir mais de cem manias diferentes, tomar banhos de até 11 horas de duração... 
Meu caso se agravou demais porque eu era contra tomar remédio, achava que apenas a terapia podia me curar. 
Quando aceitei o tratamento, em quatro meses já era outra pessoa.

 Novo amor, nova dor 
Em 2003, recém-curada, voltei ao trabalho. 
Em 2005, conheci o Dave Dave Shayman, DJ americano, quando ele veio fazer um show no Brasil. Fomos morar juntos em Nova York. 
Nossa, eu amei esse homem! Ficamos quase três anos juntos, pensamos em ter filhos, construir família. 
Só que o Dave era bipolar. E nossa convivência ficou problemática por causa disso. 
Eu morria de medo de ele fazer uma besteira, porque quando estava comigo eu cuidava, dava o remédio; mas quando saía em turnê, ele não tomava. 
O pior aconteceu: dois meses depois do nosso término, em 2007, recebi a notícia do suicídio dele. 
Entrei em choque! Fiquei dez dias sem falar uma palavra. Ele tinha só 27 anos, era tão talentoso... 
Foi difícil superar a culpa por não ter conseguido ajudá-lo. 
 E hoje... A vida continuou, e eu me joguei no trabalho. 
Em 2011, fui chamada pra fazer a novela Amor e Revolução, do SBT. 
Na trama, eu e a Gisele Tigre protagonizamos o primeiro beijo gay da teledramaturgia brasileira, o que me enche de orgulho. 
Já éramos amigas e tivemos uma química incrível em cena. 
Até chegamos a gravar uma cena de sexo bem poética, que infelizmente não foi ao ar. 
Hoje, com 42 anos, posso dizer que estou bem mais feliz e realizada que aos 20. 
Há três anos abri minha própria produtora pra realizar alguns projetos pessoais e de amigos, como o programa 
Elas, exibido pelo canal pago TCM, que conta a história das grandes divas do cinema e da televisão brasileira. 
Estou 100% curada do TOC, mas não deixo de visitar periodicamente minha médica. 
Também continuo com a terapia, que me equilibra. 
Depois de passar por tudo o que passei, me sinto quase indestrutível. 
O mundo pode cair que eu continuo aqui, firme e forte.

FONTE/QUEM

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