quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

 Maria Gadú revela fase tranquila após casar:
 "Virei uma idosa maravilhosa" 
 Maria Gadú responde 10 perguntas dos leitores de QUEM.
 Aos 30 anos, idade que sempre sonhou em ter, Maria Gadú aproveita a fase de mulher realizada. 
Casada há três anos com a produtora Lua Leça, ela acaba de lançar o DVD Guelã – Ao Vivo, registro de seu terceiro álbum de estúdio.
 Após oito anos morando no Rio de Janeiro, a paulistana decidiu ficar mais perto dos amigos mais antigos e da família e voltou para São Paulo. 
Na cidade, passou a ter tempo para buscar novas sonoridades e conseguiu, inclusive, se “acalmar” e criar uma rotina da qual ama. 
“Não tenho a menor pretensão de passar daquela porta”, brinca ela ao receber o editor online Danilo Saraiva em sua casa para responder perguntas dos leitores da QUEM. 
 1. É possível ser autêntico sem pressão do mercado?
 Gleiciane, de Mauá (SP) 
Há uma demanda muito grande no cenário de entretenimento, mas se a gente for fazer uma análise bem genuína das coisas, eu acredito que as pessoas - o público - ainda procuram algo em que elas se encontrem. Acho que isso deve acontecer com artistas que só fazem música para as massas. É difícil agradar sempre. Mas há aqueles que só estão interessados em absorver algo de você. E aí não tem como competir com ninguém porque cada artista que se dedica é único. Hoje temos muitas coisas boas e outras muito ruins. Depende do que o público quer ouvir. 

 2. Como lida com críticas e com os “haters”? 
Carolina Oliveira, de São Paulo (SP) 
Existe a crítica, que é construtiva ou destrutiva. Ou as duas coisas. Na internet, há uma falsa sensação de livre-arbítrio que não é crítica, mas uma opinião. O que acontece com os haters é uma opinião solta, que não tem nada a ver com o que você está fazendo. Com seu livre arbítrio, a pessoa cria o ato de odiar usando aqueles argumentos todos que sequer fazem sentido. Na verdade, é uma necessidade muito grande de se fazer aparecer em cima de uma coisa muito ruim. Eu tento não lidar com isso porque energeticamente me deixa mal. Quando a pessoa diz que não gostou do meu disco, nunca ficarei triste. Já quando é ódio ou raiva, xingamentos horríveis, prefiro não lidar porque não tem relação com o que eu faço e nem com a minha vida. Neste caso eu deleto. Não quero energia parada.

3. O que pretende fazer agora? 
Keyla Pereira, de Vitória (ES) 
Faremos seis meses de shows para divulgar o DVD. Vamos tentar pegar algumas praças que não conseguimos ir anteriormente.
 4. A vida de casada mudou a sua rotina? 
 Marina Ávila, do Rio de Janeiro (RJ) 
Claro que mudou! Me casei no retorno de Saturno (trânsito astrológico que promoveria mudanças radicais no estilo de vida). Agora eu tenho uma cúmplice. Eu e Lua começamos a construir coisas juntas. Até meu processo criativo mudou. Eu sempre fui jovem, hiperativa, queria fazer tudo e estar em todos os lugares. Desde que casei eu não tenho a menor pretensão de passar daquela porta (risos). Virei uma idosa maravilhosa. E estou muito feliz assim, obrigada. 

 5. Cite um grande sonho que você já alcançou e quais deseja alcançar. 
Isabela Caetano, de São Paulo (SP) 
Foi ter feito 30 anos, fico até emocionada (risos). As pessoas perguntavam o que eu queria ser quando crescesse. Eu respondia que queria ter 30 anos (risos). 'E o que você vai fazer quando tiver 30 anos?'. "Vou ficar muito feliz porque esse é meu sonho" (risos). Outra coisa, que não sei se era sonho, mas acho que alcancei foi que eu consegui construir uma vida, uma rotina, desde muito nova, onde eu vivo de música. Aos 15 anos eu já tocava, comprava meu instrumento, pagava minhas contas... Viver daquilo que ama e ter essa independência é uma coisa deliciosa. Um sonho que eu não consegui realizar ainda é conhecer o Japão. 

 6. Em algum momento os fãs são invasivos? 
Cristiane Martins, de Belo Horizonte (BH) 
Tem quem exagere. Adicionam pessoas da minha família no Facebook... Aí eu falo: “Calma, respeita minha mãe. Ela é uma senhora de 65 anos”. Se eu te amo, eu não posso extrair de você o que você não quer me dar. Isso não pode vir parar no público se eu não te ofereci. Tem gente que fica ofendida, fica brava. Como se eu não tivesse o direito de ter direitos. Essa parte me incomoda. Mas eu tenho um diálogo aberto com muitos fãs. Então eu falo pra eles na boa, não guardo não.

 7. Qual seu lugar preferido?
 Irineia Avelino, por e-mail
 Ilha Grande, em Angra dos Reis. Eu morei lá quando era criança nos anos 1990 e tive a minha infância ali, então as minhas primeiras grandes lembranças foram de coisas vividas naquele lugar. Uma infância no mato, numa ilha praticamente deserta. Eu tenho um carinho, é quase um repelente. É um lugar lindo, maravilhoso... Até hoje volto pra me resgatar. Foi onde eu fiz minha primeira música, Shimbalaiê, aos 10 anos. 

 8. Antes de compor Shimbalaiê, já tinha escrito algo? 
 Amanda Soares, de Salvador (BA) 
Um livro de quatro capítulos. Eu falava sobre meu medo de borboletas, palhaço e noivas (risos). 
 9. Cada CD gravado pela Maria são de estilos bem distintos. O 'Nós', repleto de duetos, é o contrário do Guelã, que é super intimista. Quais foram as maiores referências e inspirações suas durante esse tempo de carreira para gravar e idealizar cada um dos CDs que gravou? 
Vanessa Grão, de Maceió 
 Os processos vem se diferenciando porque eu não tinha um processo criativo, pensado ou idealizado, palavra que Vanessa usou. Meu primeiro álbum foi hiper instintivo, feito de músicas que eu compunha e músicas dos meus amigos, que eu gostava muito. Era baseado no que eu tinha de argumento. Depois veio o Mais Uma Página, um álbum também instintivo que é o reflexo do que vivi na estrada com a banda. O Nós é uma compilação, as faixas são diferentes uma das outras. Eu não gravei o álbum, eu só compilei as coisas que fiz fora da minha discografia. O único disco idealizado foi o Guelã. Eu parei pra pensar nele, no conceito, buscar uma sonoridade específica e fui para o estúdio com o disco bem pré-produzido. Teve esse processo mais idealizador. Acredito que daqui pra frente continue assim. Eu gostei de fazer desse jeito, mas também não posso saber, depende do meu trabalho. Eu posso realizar um disco hiper instintivo de novo em algum momento porque isso também é bacana. 

 10. Por que voltou para São Paulo? O Guelã se inspira nesta mudança? 
Ligia Gadú, de Florianópolis (SC) 
Sou muito paulistana, palmeirense, vou ao estádio, adoro pastel de feira. Fui ao Rio passar três dias e acabei ficando oito anos. Não é que eu fiz uma opção de morar lá. Eu fui abduzida por tudo de maravilhoso que a cidade me proporcionou. Mas ficando um pouco mais velha, meus amigos começaram a casar, ter filhos. Basicamente, todo mundo, da ala antiga, tá radicado aqui em São Paulo. E eu comecei a ficar longe. Eu quis voltar pra ficar mais perto, até da minha família. Eu senti saudades. O Guelã tem a ver com isso. Foi o fechamento de um clico aqui de coisas que eu vivi no Rio de Janeiro. O tempo que São Paulo me proporcionou também me deu mais vontade de voltar a estudar.

FONTE/OGLOBO

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