domingo, 19 de fevereiro de 2017

 Reynaldo Gianecchini sobre os 20 anos:
 "Era divertido encher a cara e eu precisava" 
 Ator faz balanço e diz: "Felicidade não é carro ou dinheiro. Felicidade é estar vivo" 

Por Guilherme Samora 
Autoconhecimento. A palavra foi citada diversas vezes nesta entrevista por Reynaldo Gianecchini. E não é por acaso. 
Aos 44 anos, o ator está em paz. Graças à maturidade e ao processo de se entender cada vez mais. 
No ar como o Pedro de A Lei do Amor, ele pensa em sua trajetória com carinho. 
Diz que seus erros – assim como os acertos – fazem parte da vida, sem arrependimentos.
 E mesmo tendo passado por dificuldades financeiras no começo da carreira, quando era modelo, ele entende que a felicidade não está em dinheiro ou carros. 
 Erros e acertos
 “Eu dou valor a tudo por que passei. 
Minhas experiências me fizeram chegar aonde estou e ser quem sou. Passei por muitos erros, tentativas, ciladas... A gente faz muita merda na vida. E faz parte. Às vezes é até divertido, sabe? Hoje, tenho consciência de que não faria um monte de coisas, mas, quando eu tinha vinte e tantos anos, era divertido. Era divertido encher a cara e eu precisava. Precisava desreprimir um pouco. Hoje, eu não tenho mais essa vontade de sair bebendo demais, fazendo esse tipo de merda, mas foi necessário no processo, para eu entender muita coisa. Para o autoconhecimento. Então, valeu passar por isso.”

 Coragem
 “Sou um cara de coragem. Sinto que ao longo da vida dei muito a cara a tapa. Fui curioso, fui morar fora do país, passei por altos perrengues, inclusive de falta de grana. Topei estrear uma novela das 8, como protagonista, sem ter experiência nenhuma! Fui criticado, achincalhado e, ao mesmo tempo, levantei a cabeça, fui fazer teatro... Quem não tem coragem não tem uma boa história. Quem tem coragem vai lá e quebra a cara, erra – mas constrói uma história legal.” 
 A felicidade
 “Acho que a felicidade tem muito a ver com um estado interno de paz. Quando você consegue se ver bem em um lugar simples e não precisa de tanta coisa, sabe? Basicamente, é quando se doma esse ego maldito que temos. Tem gente que acha que felicidade é ganhar um carro novo e sair mostrando. Pode até ser uma felicidade momentânea. Mas ela também é o caminho do sofrimento: a pessoa fica presa num ego, fica dependendo de um fator externo para sentir a tal felicidade... Felicidade é estar sempre no presente. É se preocupar menos com o futuro. A gente quase não consegue ver a beleza do presente, pois nossa mente está sempre querendo conquistar algo, está sempre preocupada com o futuro, com medo da escassez ou presa a um passado... Vamos viver! Felicidade não é carro ou dinheiro. É curtir o simples. Felicidade é estar vivo.”

 Autoconhecimento
 “Estou em um momento profundo de autoconhecimento, de entendimento da minha interação com o universo. Entendo, mesmo, que não adianta pensar no seu bem-estar sem pensar no dos outros.” 
 Selvagem
 “Gosto muito de me ver assim, com essa barba, com esse cabelo, o visual do personagem (o estilo foi o mais pedido na Central de Atendimento ao Telespectador da TV Globo no mês de janeiro). Eu adoro mudar. Neste caso, particularmente, achei que ele se encaixou muito comigo. Parece que fui assim a vida inteira. Eu me vejo muito mais assim, despojado. Não sou muito arrumadinho. Não me considero vaidoso, até me incomodo quando perco muito tempo na frente de um espelho. Algumas pessoas odeiam (risos). Mas geralmente são aquelas que se recusam a ver o novo em você. Ficam paradas naquele cara bonitinho, penteadinho... Eu não consigo ver o Pedro de outro jeito e acho ele bonito. Ao mesmo tempo, tem gente que diz que nunca me viu tão bonito. Então, nas ruas eu escuto desde elogios rasgados a coisas do tipo: ‘Nossa, você está horrível, horroroso’. E tudo bem.”

 Timidez 
“Eu sou tímido. E, no começo, não sabia o que fazer com o reconhecimento nas ruas. Acho que só fui ter o real entendimento disso durante o meu tratamento (em 2011, ele teve o diagnóstico de câncer no sistema linfático). Não tinha noção da dimensão, do carinho das pessoas por mim. Algo mudou de um modo muito forte em mim naquela época. Passei a ter necessidade de olhar mais profundamente para as pessoas... Olhar mesmo, dentro dos olhos, e falar com elas. Nem sempre dá para conversar muito, com essa rotina pesada que vivemos. Mas pode ter certeza: eu dou valor a cada gesto de carinho que recebo.” 
 Tempo, tempo...
 “Fiquei melhor depois dos 40. Quando era bem jovem, achava que não iria envelhecer. A morte, então, nem existia para mim. Hoje, já começo a pensar: ‘Putz, na próxima piscada já terei 50 anos, depois 60, 70, 80... e tá acabando, hein!’. Mas o tempo é maravilhoso. Ele coloca tudo no lugar. Eu me conheço melhor, sei o que não quero mais. A maturidade só me faz bem.” 

 Autocrítica
 “Eu me assisto sempre. Acho que é importante ver o que se pode consertar. Antes da maturidade, eu só me criticava, só via erros, ficava me ‘chicoteando’. Hoje, com o autoconhecimento, eu consigo ver também o que é legal. Vejo meu erro e ele não me machuca mais. Olho e penso: ‘Ah, beleza. Vamos tentar consertar aqui, posso melhorar ali...’. Isso está sendo muito bom. Ficar mais velho está sendo ótimo, cara!”

FONTE/QUEM

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