segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

 Cissa Guimarães:
 "Meu coração vai sempre bater pela metade" 
 Sobre sua própria felicidade, Cissa Guimarães mostra-se reticente. Ela chega a afirmar que nunca mais será totalmente plena após perder o filho caçula, Rafael, em 2010.

Por Victor Corrêa 
 Dia desses, ela acordou e notou algo diferente no canto inferior do rosto. Era mais uma ruga. “Soltei um palavrão. 
Depois comecei a rir (...). É chato, mas é a vida!”, diz Cissa Guimarães, prestes a completar 60 anos – mas sem neuras exageradas com a passagem do tempo. 
A apresentadora do É de Casa, da TV Globo - que agora também cobre férias de Ana Maria Braga no Mais Você -, conta que está solteira, mas se sente muito mais interessante hoje em dia. 
Sobre sua própria felicidade, mostra-se reticente. Ela chega a afirmar que nunca mais será totalmente plena após perder o filho caçula, Rafael, em 2010. “Meu coração vai sempre bater pela metade.” 
 Como é ser tão popular? 
Só posso agradecer. Me dá força, segurança na vida, sabe? Me faz não ter medo. Depois de tudo que me aconteceu, aliás, eu não tenho mais tantos medos. 

 Como se sente hoje (seu filho caçula, Rafael, morreu atropelado aos 18 anos, em 2010)? 
Não sou exemplo de superação, nem pretendo ser. Nenhuma mãe supera isso. A gente aprende a viver com a dor. Eu sou uma pessoa aleijada. Se não tenho uma perna, ando de muletas. Meu coração vai sempre bater pela metade. Cem por cento feliz nunca serei. Em nome do Rafa, de tudo que ganhei com ele, eu sobrevivo. Quero viver para dignificar a vida dele. Seria injusto ter tido todo esse amor, ter dado à luz esse filho, ele ter cumprido essa missão, e eu querer me jogar pela janela. 

 Como é sua relação com seus outros dois filhos? 
Tenho muito orgulho deles (ela se emociona). Quando vejo o João (de 32 anos) no palco recebendo elogios e observo sua postura em relação à vida, penso que isso me deu um trabalho enorme. Criar filho é uma luta! O Thomaz tem 38 anos e até hoje falo com ele sobre valores. 

 Lida bem com o passar dos anos?
 O tempo é meu parceiro. É ele que ameniza minha dor. Noutro dia, acordei e vi uma coisa aqui no rosto. Era mais uma ruga. Soltei um palavrão. Depois, comecei a rir. Não posso fazer nada. O peito cai, a bunda cai. Nunca vi ninguém ligar para uma amiga e dizer, feliz da vida, que o peito caiu. Não sou hipócrita. É um saco. Não enxergo direito sem óculos... É chato, mas é a vida. 

 Você vai fazer 60 anos em abril. Assusta? 
Vou poder pagar meia entrada, apesar de me negar a isso. Isso é loucura! É absurdo que os 60 anos sejam vistos como “terceira idade”. Mas não me assusto. Tenho vontade de fazer muito mais! 

 Você se sente mais interessante hoje? 
Me sinto muito mais legal. Eu não sabia que seria assim. Valorizo o simples: meu sítio, minhas flores que estão ali, minha paz, minha consciência tranquila, minha casinha que me acolhe... Que delícia! 

 Já fez intervenções estéticas, como botox? 
Botox eu nem considero intervenção. É igual a pintar o cabelo. De vez em quando, coloco. Não sou contra ficar bonita. Só não vou entrar em uma batalha contra o tempo. Penso em ir para meu sítio, ficar uns meses e me conhecer de verdade. Ver como fico de cabelo branco. Se ficar bonita, volto assim (risos). 

 O que tira seu humor?
 Não acordo mal-humorada. Nunca. Meu nome de batismo é Beatriz, que significa “aquela que traz alegria”. Sempre fiz piada, palhaçada. O que me tira do sério é mentira, hipocrisia, falta de caráter. Venho saindo do sério várias vezes ultimamente. Infelizmente (risos). 
 Homens de 60 namoram moças de 30. Por que não posso? 

 Você está namorando?
 Estava ficando com uma pessoa até pouco tempo atrás, mas não tem mais. Estou solteira. 

 Namoraria homens mais novos?
 Acho tolo esse negócio de idade. Quando eu era mocinha, ficava com gente muito mais velha do que eu. Gostava dos papos, da intelectua­lidade. Homens de 60 namoram moças de 30. 

Por que não posso? Você pensa em voltar a ter uma relação mais séria? 
Quero um companheiro, mas morar junto não. Então dou muito beijo na boca. Adoro! Já brinquei muito de casar (ela já foi casada três vezes). Agora, não quero mais.

 Amaria mais de um homem ao mesmo tempo? 
Nunca aconteceu. Quando amo, me conecto. Isso não quer dizer que não possa me apaixonar por outro. Monogamia é algo imposto. Eu já traí, já fui traída... Mas, se vivo um amor de verdade, essas interferências têm bem menos chances de acontecer. 

 Você não faz novelas desde Salve Jorge, em 2012. Se encontrou no É de Casa? 
Me sinto feliz nesse trabalho. Mas não vou dizer que, caso um diretor ou autor querido ofereça um personagem que eu ame, eu não diga ao (diretor do programa) Boninho que quero voltar a fazer uma novela. 

 E agora você também está no Mais Você. Muita correria?
 Estou exausta, mas amando. Substituo a que é insubstituível, a Ana Maria Braga. Sou a apresentadora oficial nas férias dela. 

 Como está a turnê de Doidas e Santas? 
Essa peça salvou a minha vida (Cissa voltou ao espetáculo 15 dias após a morte do filho). Foi o primeiro espetáculo que produzi. Tem sido uma bênção na minha vida: já são 300 mil espectadores, graças a Deus! Nós viajamos até dezembro e paramos. Mas voltaremos no segundo semestre.

FONTE/QUEM

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