quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

 Maria Júlia Coutinho: 
"Iria ficar triste se não fosse reconhecida" 
 Conheça mais como é a Maju fora da tela da TV, com suas histórias pessoais e suas lutas 

Por Patrick Monteiro 
 Fala doce, sorrisão, postura elegante do alto de seu 1,85 m (já somados aqui os 10 cm dos saltos, que ela adora).
Maria Júlia Coutinho, 38 anos, a Maju, é a jornalista que apresenta com leveza e competência a previsão do tempo do Jornal Nacional. 
Casada com o publicitário Agostinho Paulo Moura, ela acaba de lançar o livro Entrando No Clima – Chuva, Chuviscada, Chuvarada e Outras Meteorologices.
 Assim como no JN, na publicação ela entrega ao público informação relevante – mas com o seu jeitinho.
 A seguir, conheça mais como é a Maju fora da tela da TV, com suas histórias pessoais e suas lutas.
 Iria ficar triste se não fosse reconhecida” Você se acostumou com o sucesso? Sabe que não (risos)?
 Amo o meu trabalho e o faço com honestidade e carinho.
E as pessoas na rua respondem com o mesmo carinho. 
Mas nunca sei lidar direito. Agradeço sempre.
 Gosto. Iria ficar triste se não fosse reconhecida. 
Mas se em algum dia não estou muito a fim, opto por nem sair de casa.
 Acha que pode ser referência para futuras jornalistas?
É um pouco pretensioso falar isso, mas espero ser. O meu sonho é ser um bom exemplo, especialmente para meninas negras. Elas precisam ter mais referências. Mas não pode ficar o peso por anos apenas na Gloria Maria, na Zileide Silva (ambas jornalistas da TV Globo), ou mesmo na Maju.
 Temos que ser várias, muitas, a ponto de nos confundirem, como fazem com as jornalistas loiras.

 Você levanta bandeiras? 
Acredito na luta do feminismo, do empoderamento e da mulher negra, claro. Mas decidi não chover no molhado. Vou ficar um ano estudando pensadores da questão racial. Quero ter mais profundidade ao falar, para incitar a reflexão em mim e nos outros.

 Há um ano você sofreu racismo em uma rede social. Esses ataques ainda são uma ferida aberta?
 Como lidei com o racismo desde sempre, não senti dor. Eu sentia quando era criança e não sabia me defender. Quando aprendi a me defender, quando aprendi meu valor, a dor dessa idiotice e desse crime não cresce em mim. O que pegou foi a exposição. Era como se fosse linchada em praça pública. Mas se olho para trás não sinto mágoa. É um ponto chato, ruim, que não gostaria que tivesse acontecido comigo nem com nenhuma outra menina negra. Mas sei lidar. Isso só me faz forte. Fico ainda mais consciente do meu valor.

 Como foi sua infância?
 Foi muito divertida. Meus pais (João Raimundo, professor de português, e Zilma, coordenadora pedagógica) gostam muito de cultura, então nós íamos a museus, passeávamos no Centro de São Paulo e eles contavam histórias. Tinha muita leitura, cantoria, foi bem didática.

 E como é sua relação com o Agostinho? 
É muito tranquila. Ele é 15 anos mais velho e muito parceiro, me ajuda na carreira, fez uma ilustração para o livro. Nos conhecemos na fila de um show do Bezerra da Silva, em São Paulo, em um bar black.

 Quando se fala em Maju já pensamos no seu figurino... 
A minha mãe tem uma frase ótima sobre isso. Ela diz que eu mirei no tempo e acertei na moda (risos). Sempre gostei de salto, por exemplo. No dia a dia, uso muito vestido, calça de couro, botas, macacão. Sigo as dicas das meninas do figurino da TV. Se elas indicarem, eu gostar, combinar com meu guarda-roupa e estiver com um preço bacana, compro.

 Você se aventura na cozinha?
 Não sou muito fã, não (risos). Mas até estou me forçando para ter mais contato com o fogão. Esses dias fiz uma pasta margherita e um arroz de bacalhau que, olha, não teve pra quem quis (risos).

 Você fala sobre o tempo de maneira coloquial. Sempre teve essa preocupação ao dar uma notícia? 
Tentei na reportagem, mas, como era mais nova, não tinha segurança. Hoje tenho 14 anos de carreira e me sinto confortável para falar como se estivesse na sala da casa das pessoas.

 Antes de assumir a função no JN você olhava as previsões?
 Não! Segredo (risos)! Minha relação com o tempo era: nenhuma! Sempre andava com uma galocha e capa de chuva na bolsa por segurança. Hoje sirvo até como referência para a família.

 E já errou a previsão?
 Nossa, já. Sempre brinco que não é precisão do tempo, é previsão. Tem sempre que olhar o céu antes de entrar no ar.

 Na construção do seu livro você conversou com muitos especialistas. É uma grande reportagem?
Pode ser considerada, porque apurei mesmo. Colocava dúvidas, os meteorologistas respondiam, perguntava de novo. Tudo isso para falar de modo ainda mais simples do que na televisão, só que mais aprofundado. São temas básicos: diferença entre clima e tempo, atmosfera, estações, tornado, furacão, chuva, nuvem... Expliquei em uma linguagem que é popular, mas completa de informação.

FONTE/QUEM

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