segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

 Claudia Ohana sobre infância difícil: 
"Abandono gera insegurança"
 Abandonada pelos pais e criada por uma tia até os 9 anos, Claudia Ohana diz que sua vida é marcada por essa passagem 

Por Patrick Monteiro 
 Abandonada pelos pais e criada por uma tia até os 9 anos, Claudia Ohana diz que sua vida é marcada por essa passagem.
 Mas, cheia de personalidade, não se deixa abater e até brinca: 
“Quando faço besteira e alguém fica chateado comigo, digo que fui abandonada na infância. 
Ajuda na desculpa.” No ar como a Loreta, de Sol Nascente – e linda aos 53 anos – ela está solteira.
 “Sou amorosamente imatura”, alega. 
Mãe de Dandara, de 33 anos, de sua relação com Ruy Guerra, de 85, e avó de Martin, de 11, e de Arto, de 4, ela passou por uma operação complicada: 
“Dou mais importância aos que me amam”. 

 No ano passado, você operou de diverticulite, que é uma doença no intestino bem perigosa. Como foi?
 Tive seis crises. Adiei a cirurgia até quando pude. Diverticulite é realmente perigosa. Mas não operei de urgência. Foi uma espera consciente. Uma experiência que fez meus valores mudarem. Hoje dou mais importância aos que me amam. 

 Teve medo?
 Sou muito medrosa, mas quando tenho que fazer algo assim, faço. Só desabei quando voltei para casa. A recuperação foi complicada. Em duas semanas estreei um musical! Estreei com dor. Mas minha filha estava comigo. E busquei muita força. 

 De onde? 
De mim mesma. Fiquei me jogando para frente. Pensei: ainda bem que sempre fiz exercício. Ajudou muito. Percebi como é importante ter boa saúde. Pena que o Brasil não tem hospital bom para todos. Saúde é tudo. 

E como você está hoje?
 Estou 100%. Mas me cuido. Quase não saio, nunca bebo álcool, cuido da pele, do cabelo. Com 20 anos você não prioriza nada, vai na fé. Mas, quando mais velha, é preciso ter cuidado. 
 Você foi criada por uma tia até os 9 anos e hoje faz uma personagem que larga os filhos com o pai. É difícil? 
Na verdade, não. É claro que uma pessoa abandonada fica marcada. Abandono gera insegurança e acaba levando à análise. Fiz algumas vezes, inclusive. Mas, depois que passei a viver com minha mãe, senti que ela era muito amorosa. A Loreta, ao contrário, tem personalidade fútil. Não sente culpa por ter abandonado os filhos. Hoje até brinco com essa história. Quando faço besteira e ficam chateados comigo, digo que fui abandonada na infância. Ajuda na desculpa (risos). 

 Acertou as contas com sua mãe, Nazareth? 
Não... Ela morreu quando eu tinha 15 anos. Não chegamos a conversar. Mas ainda bem que minha mãe me pegou de volta, aos 9 anos. Foi difícil, mas ainda bem que convivi com ela. Era lúdica, moderna, trabalhava com cinema...

 E você, como criou a Dandara?
 Não a deixei fazer tudo. Caso se metesse com drogas, quebraria o barraco. Mas fui mais tranquila em termos de horário e colégio. Achava importante a Dandara acompanhar a mim e ao pai nas viagens. Morou na França, no Japão, em Cuba. Garanto que ela tem uma bagagem de vida rica. Mas Dandara frequentou a escola, se formou e fez até doutorado em cinema. Tenho orgulho da minha filha. Ela é honesta, verdadeira, franca. 

 Como toda avó, você estraga seus netos? 
Estrago (risos)! Amo ficar vendo besteira na TV, jogar games com eles, que é uma coisa que a Dandara é contra. Mas comigo eles jogam. Pena eu ainda não estar na situação de avó que fica em casa fazendo biscoito. Mas sou parceira deles. 

 Você está namorando?
 Estou solteira há um ano. Um dos problemas no relacionamento comigo é que em alguns momentos preciso ficar sozinha. E as pessoas se sentem inseguras com isso, não sei por quê. Têm mania de virarem uma só, mesmo sendo duas pessoas diferentes. 

 Tem dificuldade para se envolver? 
Sou da paixão. E amorosamente imatura. Não consigo transformar paixão em amor. Profissionalmente sou muito objetiva. Mas amorosamente não. Somos maduros em uma coisa e em outras não. Não existe equilíbrio.

 Neste ano você vai estrear Vamp – O Musical no Rio. Como está a expectativa pela volta da Natasha, sua personagem na novela? 
Ela está viva na memória do povo brasileiro (risos). Até as pessoas que não assistiram sabem da novela. No musical, vamos atingir outra geração. Já amo musical, e com o Jorge Fernando dirigindo e o Antonio Calmon na dramaturgia, é só alegria.

FONTE/QUEM

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