quinta-feira, 29 de junho de 2017

Cássia Kiss:
"Ando pelo centro e peço abraço aos mendigos"
Aos 59 anos de idade e 38 de carreira, Cássia Kis conta que havia muito tempo não ficava tão realizada com um trabalho na TV. 
A sofrida Vera de Os dias eram assim, segundo ela, tem feito Cássia passar a limpo os anos da ditadura e sua própria trajetória. 
Mais que isso, a supersérie, que quebrou recentemente recorde de audiência na faixa das 23 horas, vem ensinando muito ao público. 
“Contar bem uma história faz a diferença. Nunca vi uma equipe tão unida e feliz”, afirma. 

 A que se deve o sucesso da supersérie? 
Discutimos outro dia uma cena por 45 minutos, vendo como poderíamos deixá-la melhor. Isso demanda generosidade. Quando saio e vou ao supermercado, fazem uma roda em torno de mim para comentar. Há gente que não tem a menor ideia do que foi o AI-5. Somos um povo sem educação, que não sabe brigar direito. Acho que o projeto reeduca em todos os sentidos.

 Consegue levar uma vida normal no dia a dia? 
Claro, ando de metrô, sempre foi assim. Nunca disse que queria ser famosa e ganhar dinheiro, mas a fama é consequência. Tenho uma responsabilidade muito grande, preciso levar questões às pessoas. Quando deito em meu edredom fofinho, em minha cama maravilhosa, lembro as 15 mil pessoas que moram na rua [no Rio de Janeiro] e sinto que preciso ajudá-las. 

 O que faz nesse sentido?
 Às vezes, ando pelo centro da cidade e converso com mendigos, dou R$ 50, R$ 100, um sorriso, peço um abraço. Converso com meus filhos quando conseguimos reunir todo mundo na hora da refeição. Arranco matérias de jornal e prego na cara deles. Eles me acham arrogante, dizem assim: “Ela sabe tudo!”. Eu pergunto: “E aí, vamos fazer alguma coisa?”. 

 Quais são suas referências agora? 
Quando eu tinha 16 anos e minha mãe me botou no olho da rua, eu já tinha um guru. Acho que ela sabia a responsabilidade que eu tinha. Trabalhava e fazia teatro, participava da Convergência Socialista, meditava. Corro atrás de saber das coisas, da compaixão. Estamos no mesmo barco neste planeta. E este país tem solução se nos unirmos.

FONTE/FOLHA

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