segunda-feira, 19 de junho de 2017

 Ingrid Guimarães sobre crise dos 45 anos: 
“Está sendo difícil pra mim” 
Por Giovani Lettiere
 Ingrid Guimarães tinha 19 anos quando, na estreia do megassucesso Confissões de Adolescente, apareceu no palco da Casa de Cultura Lauro Alvim, em Ipanema, no Rio, interpretando uma garota que acabara de fumar maconha pela primeira vez. 
Quem a viu ali, com aquela toalha amarelo-ovo na cabeça, não teve dúvidas: estava diante de uma das mais talentosas atrizes de comédia do Brasil.
 As gargalhadas da plateia naquela noite – sua primeira no teatro profissional – se multiplicaram. 
A goiana ganhou muito espaço na TV – e no coração dos brasileiros – e brilhou durante onze anos na peça Cócegas (entre 2001 e 2011). 
 No cinema, foram vários filmes de sucesso – entre eles a franquia De Pernas Pro Ar, que volta em 2018 com sua terceira edição. 
No GNT, hoje, ela apresenta o programa Além da Conta, sobre consumismo – mas sempre com muito humor. 
Na conversa franca que ela teve com a QUEM, na suíte do Hotel Sheraton, no Leblon, no Rio, Ingrid conta que vive uma certa crise dos 45 anos.
 “Está sendo difícil pra mim”, confessa.
Casada há 11 anos com o artista plástico Renê Machado, e mãe de Clara, de 7, a atriz, no entanto, está feliz. 
“Tenho a base familiar muito forte”, diz.   “Sempre fui uma criança fora dos padrões. 
Ainda bebê, engatinhei para trás”, conta, aos risos 
 Crise dos 45 anos “Adorei fazer 40, mas chegar aos 45 (que ela completa em 5 de julho) está sendo difícil. 
Me sinto longe dos 40 e perto dos 50. 
Penso na quantidade de coisa que tenho que fazer na vida ainda. Será que vai dar tempo? 
Tenho também que desacelerar para não dar atenção só ao trabalho. 
Fui atropelada por ele e pelos sucessos e a chegada dos 45 me trouxe a certeza de que quero envelhecer bem.” 
 Infância
 “Sempre fui uma criança fora dos padrões. Ainda bebê, engatinhei para trás (risos). Também não era muito boa aluna. Lá em Goiânia, a menina que dançava balé e tocava piano era a menina boa, criada para ter vários dotes. Era ruim no piano, ruim no balé... Lembro de uma cena clássica de infância: a turma dançando no final de ano, todo mundo indo para um lado no sapateado, e eu indo para o outro (risos).”

 Filha única 
“Ainda tenho vontade de ter mais filhos, mas já tive dois abortos espontâneos. Fiquei achando que talvez não era para ser. Comecei a tentar quando a Clara tinha 3 anos (hoje com 7). Fiquei um tempão tentando. Ainda tenho esperança, mas, agora, coloquei nas mãos de Deus. Não pensei em adotar, mas pode ser.”

 Casamento
 “Eu e o Renê (Machado, artista plástico) estamos juntos há 11 anos. Casamos só no civil em 2006. Todo casamento passa por altos e baixos. O segredo é ter paciência, saber que as crises passam. Hoje, ficar junto é muito mais moderno do que estar solteiro. Temos um desejo grande de ser uma família. Tenho base familiar forte. Sou muito ligada à família. A minha é unida demais. Uma irmã se mete na vida da outra.” 

 Sexo
 “É muito importante no meu casamento! Em algum não é? Se você conhecer algum em que o sexo não seja, me conta! (risos) Mas, com o tempo, o que fica muito é o companheirismo, é ser o companheiro de vida.” 

 Sexy 
“Eu me acho sensual, isso é uma coisa que sempre tive em mim, sempre exercitei. Sensualidade é uma coisa muito de dentro para fora. Não tem nada a ver com padrão de beleza, se é considerada bonita, feia, magra, gorda... Conheço várias gordinhas megassensuais e muitas magrelas, altas e lindas que não têm sal.” 
 Plástica 
“Fiz cirurgia de prognatismo quando tinha 18 anos, mas não é uma plástica, é buco-maxilo-facial, feita com dentista. Tenho muito medo de mudar a cara, pânico! Ainda mais nós, atores, que envelhecemos junto com o público. Sou vaidosa. Se em algum momento eu estiver me sentindo mal comigo mesma, talvez eu pense em plástica. Por enquanto, faço laser de prevenção de envelhecimento, acredito mais nisso do que em botox. O que tiver de moderno para pele e cabelo, eu faço.” 

 Cabelo
 “É o meu xodó. Sempre foi. Meu manto sagrado, como dizia uma figurinista para mim. Cuido muito dele. Construí muitos personagens usando os cabelos. Sou de uma família de mulheres muito cabeludas. Faz parte do meu ser.” 

 De Pernas Pro Ar
 “Experimentei todos os brinquedinhos eróticos para fazer o filme (no longa de 2010, a personagem de Ingrid vende produtos de sex shops). Acho supersaudável que as mulheres usem, que descubram o prazer. Fico feliz que o filme tenha influenciado muitas mulheres, inclusive da terceira idade. Soube que o mercado realmente aumentou.” 

 Namoradeira 
“Nunca fui desesperada como minha personagem no Loucas Pra Casar (filme de 2015). Namorei dos 17 anos aos 22, o mesmo cara. Outro, por dois anos. Nunca tive talento para galinhar. Gosto de namoradinho.” 

 Menos consumo
 “Já passei por todas as fases do consumismo. Tive a fase dura: não consumia nada. Depois, ganhei dinheiro com Cócegas e virei quase uma deslumbrada. Aí, passei pela fase de querer comprar tudo para minha filha. Agora, estou pensando no futuro. Hoje, só gasto em peças de roupa muito boas. Com o Além da Conta, do GNT, acabei me conscientizando e consumindo menos.”
 Frustrações 
“São duas: não ter tentado outro filho antes e não ter morado fora do Brasil. Meus pais (o jornalista William, que morreu quando ela tinha 27 anos, e a advogada Sônia) tinham condições, ofereceram para as três filhas. Sigrid e Astrid foram e eu não fui por causa do teatro. Minha filha já está na escola bilíngue e quero que ela ganhe o mundo. Isso abre a nossa cabeça.”

 Novo Mundo
 “A minha personagem, a Elvira, mistura comédia, tragicomédia e drama. Sou apaixonada por ela. E a novela é ótima. Traz a emoção de um folhetim e ainda ensina história para muita gente que nunca teve oportunidade de estudar.”

FONTE/QUEM

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