segunda-feira, 26 de junho de 2017

Johnny Massaro: 
Um ator de 25 anos e 1.001 faces
 Protagonista da próxima novela das 19h está ainda em série, peça e filmes e escreve livro 

Por Zean Bravo
 Johnny Massaro já foi nerd desajeitado, engenheiro agrônomo galã, poeta disputado por uma morta-viva e herdeiro romântico e politizado na TV. 
No teatro, interpretou um jovem que incendiava animais por prazer e mantinha uma relação incestuosa com a irmã. 
Viveu ainda, no cinema, um cara rico que promovia festa regada a sexo e drogas na laje de uma comunidade. 
Agora, aos 25 anos, se prepara para aumentar a sua já extensa galeria de personagens. 
 Escalado para ser um dos protagonistas de “Deus salve o rei”, a próxima novela das 19h, da Globo, Massaro começa a gravar em setembro a história passada num reino medieval. 
O ator vai interpretar um príncipe que precisa assumir o trono depois que seu irmão mais velho abdica de ser rei.
 Com estreia prevista para janeiro, a trama, escrita por Daniel Adjafre, trará o ator como par romântico de Tatá Werneck. 
 Antes, ele será visto na série “Filhos da pátria”, que vai ao ar em setembro, na Globo, e chega ao Globo Play (a plataforma de streaming da emissora), no dia 3 de agosto.
 É a mesma data de lançamento de “O filme da minha vida”, longa dirigido por Selton Mello, do qual Massaro é protagonista. 
 Ainda tem mais. O ator também está nos filmes “Todas as razões para esquecer”, de Pedro Coutinho, que deve estrear direto na Netflix até o fim do ano; e “Partiu Paraguai”, dirigido por Daniel Lieff, com roteiro do Matheus Souza, sem previsão de estreia.
 Massaro dedica-se ainda a “10 vezes Quim”, filme com direção de Esmir Filho e Vera Egito, um projeto mais experimental e sem roteiro definido. 
O ator começou o trabalho em janeiro. Vive Quim, jovem que conhece outros homens por meio de um aplicativo de celular.
 Por enquanto, só gravou um desses encontros, com o personagem de Paulo Vilhena.
 — Muitas coisas estão acontecendo, felizmente.
 Hoje eu me vejo no lugar de entender como quero gastar o meu tempo e a minha energia no trabalho — diz o ator, que estreou na TV aos 13, na novela infantil “Floribella” (2005), da Band, passou por “Malhação”, entre 2008 e 2010, e mostrou que poderia viver um galã de novela “Meu pedacinho de chão” (2014), na Globo. 
 Entre goles de café na varanda da casa onde mora, no Humaitá, ele diz que um dos critérios para escolha de personagens é se comunicar “por umas vias mais positivas”. 
 — Fui chamado para um outro trabalho, que envolvia uma energia mais pesada, na mesma época de “Filhos da pátria”, e priorizei o humor. 
Já estamos cercados por tanto medo, raiva e angústias que não me sinto disponível para lidar com essas energias no meu trabalho — explica ele, que também vai lançar neste ano o livro de poemas “Lábios bambos”, feito de forma artesanal. 
 Em cartaz agora com “Estranhos.com”, que fica no Teatro das Artes, no Rio, até o dia 2, Massaro já lidou com energias pesadas de seus personagens em “A frente fria que a chuva traz”, longa de Neville D’Almeida, lançado no ano passado; e em “Cara de fogo”, peça em que vivia um incendiário que matava o pai e se envolvia com a própria irmã, encenada em 2015. 
 Em “Estranhos.com”, o ator interpreta um blogueiro que se envolve com uma professora de literatura (papel de Deborah Evelyn). 
Depois de interpretar a tia de Massaro na novela “A regra do jogo” (2015), Deborah vive a amante do ator no teatro. E diz ter tido um encontro raro com o colega. 
 — Ele é um garoto de 25 anos, como tem que ser.
 Mas tem uma maturidade incrível em cena.
 Outro dia errei o texto de uma maneira brutal, disse uma frase sem sentido. 
Ele contornou a situação, como se tivesse sido um lapso da personagem, e não meu. 
Tive que segurar uma gargalhada — conta Deborah. 

 “NÃO É UM ROSTO VULGAR”
 Fernanda Torres, que interpreta a mãe de Massaro em “Filhos da pátria”, série de Bruno Mazzeo, dirigida por Mauricio Farias, diz que o ator tem “um requinte na atuação”. 
 — Ele tem aquele rosto com algo de caricatura, quase um cartoon, não é um rosto vulgar.
 Johnny é verdadeiro e irônico ao mesmo tempo em cena.
 É muito fora da curva, um cara divertido, inquieto... — lista Fernanda. 
 Massaro vive Geraldinho, jovem que julga ter ideias revolucionárias, mas mal sabe cuidar de si, em “Filhos da pátria”.
 A produção acompanha a origem da identidade brasileira e o enraizamento da corrupção, no Rio do século XIX.
 — Todos diziam que Geraldinho era o mais burro da série. Mas, no fim, ele se dá bem. 
O personagem fala que não é preciso saber ler, escrever ou pensar para ser um homem importante.
 É o triunfo da ignorância, que a gente tem visto por aí desde sempre — diz ele.  
FONTE/OGLOBO

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