terça-feira, 25 de julho de 2017

 Carolina Dieckmann:
'Mudei de país por amor'
Atriz fala sobre a peça 'Tryo Elétrico' e sobre a vida nos Estados Unidos 

Por Leo Dias 
 Carolina Dieckmann está de volta ao Brasil, mas não é para ficar. 
A atriz está morando nos Estados Unidos com o marido, Tiago Worcman, e o filho mais novo, José, desde 2016.
  Em um bate papo descontraído com a coluna, ela contou o que fez com que ela ‘deixasse’ a carreira consolidada no Brasil para morar em Miami.
 Durante as férias do filho, ela voltou ao Rio, mas engana-se quem pensa que Carol está descansando. 
A atriz está em cartaz com o espetáculo ‘Tryo Elétrico', ao lado de Maria Ribeiro, Pretinho da Serrinha e com produção de Léo Fuchs. 
 O sucesso foi tanto que eles tiveram que estender as apresentações e fazer uma sessão extra, que vai acontecer dia 26 de julho no teatro Fashion Mall. 
No palco, Carol canta, atua e, com muita leveza, fala sobre a vida, assim como na entrevista que você pode conferir a seguir: 

 Fala sobre o ‘Tryo Elétrico’. É uma peça, uma roda de samba, é uma conversa de bar, e uma experiência de vida? 
 Não é uma peça...E também uma peça!

 De onde surgiu a ideia? 
Na casa do Moreno, a gente faz essa homenagem para ele. O Jorge Bastos Moreno foi um jornalista amigo nosso, que morreu recentemente e que fazia a gente se encontrar muito na casa dele. Durante os últimos dez anos a gente se encontrou muitas vezes. Eu fiquei mais próxima do Pretinho da Serrinha também. A gente ia na casa do Moreno, ele era padrinho do Pretinho, e a gente começou a conversar sobre isso, ali. Eu e Maria ficamos ensaiando, toda hora a gente queria fazer uma volta ao palco, e aí ficamos muito amigas do Pretinho. A Irene, mulher do Pretinho, ficou muito amiga da Maria, e aí a gente começou a levar isso a serio. Só que a gente não conseguia agenda, então fui morar fora, fiquei o ano todo fora e quando soube que ia passar dois meses no Brasil, porque o José tem férias escolares lá, e o Pretinho também, então a gente falou assim: “vamos fazer!” E ai ficamos ensaiando meio que pelo facetime, eu lá, e eles aqui. E enquanto isso eu ficava no violão, na internet, tentando aprender, tentando pegar, e é isso! Eu acho que esse encontro, essa peça, é meio que um fruto disso, desse nosso desejo, desse nosso encontro,das nossas histórias!

 Isso tudo então é fruto de uma amizade?
 Sim!É fruto de um desejo de continuar junto, de trabalhar juntos, e o interesse que a gente tem um pelo outro, o artístico também, né? Não e só da amizade, é estar perto artisticamente. 

Agora, eu queria expor algo da peça, falo de você! Na peça, você fala que não usa filtro solar,você não usa mesmo?
 É, eu não uso! Eu não lembro, afinal, eu não tenho o hábito. A minha dermatologista diz que eu tenho que ter o hábito, e eu não tenho... A gente estava discutindo na redação, quando falávamos da pauta, sobre a sua relação com a idade, que você não envelhece!

 Você tem problema em falar sua idade?
 Nenhum problema! Eu tenho trinta e oito anos, falo na peça inclusive. 

 O tempo está sendo muito generoso com você, né?
 É, eu acho que tem sim essa questão, eu acho, não estou dizendo que o tempo está sendo bonzinho comigo... Está! Eu acho! Eu acho que isso tem a ver com o jeito que eu levo a vida, com a leveza que eu tenho de lidar com as coisas, eu acho que isso é uma coisa pra gente pensar, inclusive! O tanto que a gente se preocupa com coisas que não são problemas reais.

 Você acha que influencia no externo? 
Eu acho! Perdoar as pessoas, não ter mágoa, errar, saber pedir desculpas, saber consertar as coisas! Eu acho que tudo isso dá uma leveza, sabe? Você vai vivendo um dia após o outro, como se fosse o único, como se fosse o último. 

 E o DNA também ajuda né? 
É. Você viu como minha mãe é gata? É mais gata do que eu! Em todo momento da peça você fala sobre ser uma carioca, ser brasileira, mas que deixou o país por amor Sim, por amor! E é engraçado Léo, que muita gente que me pergunta isso, fica olhando e se questionando, como assim por amor? Eu só acredito na vida por amor. Eu acho que o movimento da vida se faz necessário por amor. Aos filhos, aos amigos. Eu sou apaixonada pelo meu marido, eu sou apaixonada pela minha história com ele, pela história que a gente construiu, pelo filho que a gente tem, pelo que a gente faz junto, pelo que a gente se ajuda, pelo tanto que a gente se melhora. Então não faz sentido pra mim, não estar com ele, entendeu?

 Mas você tem amigos que questionam isso? De você ter largado o país, dando um tempo na carreira? 
Leo, eu estou aqui todo mês, eu tenho um filho morando aqui, que e a coisa mais preciosa da minha vida! 

 O Davi? 
O Davi está morando aqui ainda, não sei se ele vai pra lá, porque ele vai fazer faculdade...

 Mas você volta quando? 
Eu não sei, porque eu sou essa pessoa de deixar a vida me levar, eu realmente não planejo muito, eu não gosto. Eu gosto de viver um dia após o outro. A gente não sabe onde a gente vai estar daqui a um tempo, como vão estar as coisas. Então eu realmente acho que a gente tem que viver um dia após o outro! Então o futuro? A Deus pertence! 

Serio? A Deus pertence. E sua carreira? 
Minha carreira está acontecendo, eu consegui filmar os três primeiros meses da série “Treze dias longe do sol”, que vai ao ar em janeiro. Tem novela passando a tarde, “Senhora do destino”, que volta e meia agora eu estou vendo e que eu adoro! Tem a novela do Viva... Então tem uma Carolina presente sempre! Tem. E já, já, em janeiro tem inédito, com a série “Treze dias longe do sol”. 

 Do que você sente falta daqui? 
Do pão francês! Lá, não é tão gostoso. E sinto muita falta dos meus amigos. Mas, uma coisa que realmente se eu pudesse dizer uma coisa só que eu mais sinto falta seria do meu filho, obviamente. E dos meus amigos. Eu sou uma pessoa bem apegada. 

 Mas como é que você mata a saudade? Pela internet? 
Isso não mata saudade, né? Eu ando sentindo mais saudade do que eu sentia antes. Esse é um sentimento que eu estou pegando intimidade, mas como venho uma vez por mês, tento organizar para ver todo mundo assim. Eu estou tentando, e estou conseguindo!  
E qual é seu objetivo para a carreira, para os próximos anos?
 Ser feliz! 

 E mesmo? 
É! 

 Então se tivesse que escolher, entre o amor, e a carreira? 
Não é entre o amor e a carreira. É escolher entre ser feliz e não ser, eu escolho ser feliz! Às vezes a carreira vai estar um pouquinho na frente e às vezes a vida pessoal vai estar um pouquinho na frente, e tudo bem! Eu não sou uma atriz, sou uma mulher antes de ser uma atriz. Então acho que para eu ser uma atriz, tenho que ser primeiro uma mulher! É aquele papo, você não consegue amar ninguém, sem antes amar a si mesmo. O amor verdadeiro, sabe? É quando você se ama que se permite amar outra pessoa, até porque a vida é assim també. Então antes de ser alguma coisa, antes de ser ator, jornalista, câmera... A gente é ser humano, a gente tem que se cuidar,se preservar. Temos que pensar na nossa família, nas opções que a gente está tendo, nas escolhas... Eu sou uma pessoa que penso muito nisso. Existe um legado que você deixou na sua carreira e na sua historia. 

A gente vê você presente hoje nas telas. É um legado até para as classes artísticas também, você sabe disso, da sua importância né?
 Ah, eu não penso nisso!

 Não pensa?
 Não. De verdade! Outro dia meu filho Davi virou e falou: “mãe, de importante que você fez, foi que você virou lei, né?. DaÍ eu falei: “Pô, Davi, você acha isso?”. Os papeis que fiz, acho que ele não acompanhou tanto, era muito pequeno, não acompanhou novela. Só para quem não sabe... A lei Carolina Dieckmann foi uma lei a frente do tempo. A lei que vai me proteger se o Leo Dias colocar alguma coisa que eu não vou gostar, vou falar: “Oh, olha minha lei lá!” (risos) 

 Sim, é uma lei que protegeu todo mundo... Né?
 Eu fico feliz. Volta e meio recebo no e-mail: ‘foi citada por causa da lei’e eu morro de orgulho. Mas isso só aconteceu também porque eu me respeitei como pessoa, porque fiz as escolhas pensando de verdade no que gostaria de fazer e de dizer. Então acho que foi muito coerente. Está tudo ai, pra gente e para todo mundo.

FONTE/ODIA

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