terça-feira, 11 de julho de 2017

 Angela Dippe:
 "Artista tem que partir do zero sempre" 
Por Beatriz Bourroul 
 Angela Dippe, 55 anos, volta a conquistar sucesso com o público infantil com a novela Carinha de Anjo, do SBT. 
Eternizada como a Penélope, do Castelo Rá Tim Bum, seriado da TV Cultura, produzido entre 1994 e 1997, a atriz volta a divertir a criançada como Rosana, mãe de Juju (Maisa Silva) e Emílio (Gabriel Miller). 
 Solteira e sem filhos, ela afirma encarar numa boa a situação.
 "Não ter filhos é uma questão bem resolvida para mim. 
No segundo casamento, descobri que não rolaria engravidar. 
Não é uma frustração, nunca fui uma pessoa louca para ser mãe. Minha irmã também não tem filhos. 
Minha única mágoa é que meus pais não têm netos.
 O único ponto que me entristece por não ter filhos é não ter dado netos aos meus pais." 
 Nascida em Porto Alegre (RS), Angela vive em São Paulo há 32 anos e afirma já ter enfrentado perrengues profissionais. 
"É uma carreira muito instável. Cheguei aqui com 20 e poucos anos, estava com um mão na frente outra atrás. 
Já fiz de tudo. Sabe telegrama animado? Fiz muito. Ia lá animar festa e tenha vários personagens: a Mulher Balão, a Amante Latina...
 Uma vez a avó do cara acreditou que eu era amante mesmo (risos)", diz, sem perder seu característico bom humor.
Angela Dippe na cidade cenográfica de 'Carinha de Anjo' 

Você está no ar com um novo trabalho infantil. Depois do infantil Castelo Rá Tim Bum, você está na novela Carinha de Anjo. Gosta de trabalhar para este público? 
 Eu adoro! Na época do Castelo, não costumava ser reconhecida pelas crianças. Os pais apontavam para as crianças dizendo que eu era a Penélope, mas nem sempre elas processavam a informação. Afinal, eu sou bem diferente da Penélope, que é toda cor-de-rosa. Eu adorava fazer a Penélope. Como atriz, quanto mais diferentes os personagens é mais legal. 

 Com o atual personagem, já não rola uma caracterização com tanto disfarce... 
Sim! Dá para ser reconhecida. Ela tem um visual com pegada rocker e é bem popular com a criançada; 

 Você interpreta a mãe da Juju, personagem da Maisa. Como é trabalhar com ela?
Tive uma super satisfação ao conhecê-la. Ela é uma adolescente espirituosa, sempre de bom humor e muito religiosa. Ela tem 15 anos e umas sacadas geniais. Digo que ela é realmente iluminada e merece todos esses seguidores que tem nas redes sociais. 
 Angela Dippe e Maisa Silva em cena de 'Carinha de Anjo' 

 E é possível aprender com as crianças e os adolescentes? 
 Aprendo muito com ela e com o Gabriel Miller, que interpreta o Emílio, meu outro filho na novela. Sou uma mulher de 55 anos e estar em contato com eles me renova. Acho que a personagem é um pouco alter-ego da Leonor Corrêa, autora da novela. Posso dizer que tive uma p*** sorte com eles. O Emílio também é um ótimo ator. Também tenho muito contato com as mães da Maisa e do Gabriel. Elas acompanham as gravações. 

 Existem cuidados específicos por trabalhar com crianças? 
 Nunca tive problema com crianças. O SBT tem uma mega estrutara pras crianças serem bem aparadas. Existe coach, psicóloga... Agora, eu, claro, tenho que dar uma certa policiada no que eu falo. Não posso ficar falando palavrões e determinados assuntos. Não posso ficar fazendo brincadeiras de sexo, tenho ter respeito com eles. Sou bem criançona, mas ao mesmo tempo sou bem lúcida. Sempre fui de ter noção, né? Jamais vou chamar a atenção deles, as crianças são super bem orientadas. E eu tenho que me cuidar para não ser mais criança com eles. 

 Você já teve vontade de ter filhos? 
Tenho 55 anos e não tive filhos. Não ter filhos é uma questão bem resolvida para mim. No segundo casamento, descobri que não rolaria engravidar. Não é uma frustração, nunca fui uma pessoa louca para ser mãe. Minha irmã também não tem filhos. Minha única mágoa é que meus pais não têm netos. O único ponto que me entristece por não ter filhos é não ter dado netos aos meus pais. Crianças são encantadoras. Às vezes, chego desanimada ao estúdio e vejo uma criança e meu humor melhora. Eles têm outra energia e é muito bom ter crianças como fãs. 
Espero que os fãs de Carinha sejam tão fiéis como o do Castelo. 

 Além dos seus trabalhos na TV, você tem uma longa trajetória no teatro. Já passou muitos perrengues com a instabilidade da profissão? 
 Tenho muuuuitos perrengues na minha vida. É uma carreira muito instável. Antes de ser contratada pelo SBT, aluguei meu apartamento e fui morar dois meses com meus pais em Porto Alegre. Moro em São Paulo há 32 anos, mas sou do Sul. E já passei por momentos difíceis, claro. Cheguei aqui com 20 e poucos. Vim de mala e cuia de Porto Alegre. Estava com um mão na frente outra atrás. Já fiz de tudo. Sabe telegrama animado? Já fiz muito. Ia lá animar festa e tenha vários personagens: a Mulher Balão, a Amante Latina... Uma vez a avó do cara acreditou que eu era amante mesmo (risos).

 Cada vez mais, é raro ter um contrato longo, não?
 Muito! O artista tem que partir do zero sempre. O Brasil não é onde estamos. A realidade do Brasil é punk. De uma hora pra outra, você não tem emprego. 

Com tantos anos de carreira, você é uma atriz que não se incomoda em ter que passar por testes, por exemplo?
 Óbvio que topo fazer testes. Não hesito e fazer. Fiz teste a vida inteira. No início da carreira, é claro que eu tremia muito mais. Já aprendi que a reprovação não significa que você seja ruim. É uma conjunção de fatores. Fiz um teste para o seriado Supermax, foi super bom e não fui chamada. Por outro lado, para a Penélope, estava gripada e achava que tinha ido tão bem, mas rolou.
 Você ainda tem lembranças do teste para Penélope? 
Lembro até a roupa que estava quando fui o teste com o Cao [Hamburguer, idealizador do Castelo Rá Tim Bum]. Estava com um macacão azul e uma sainha por cima (risos). Tenho muitas lembranças de testes. Quando me ligaram para o teste pro papel da mãe da Maysa [na minissérie Maysa – Quando fala o coração], eu estava no Guarujá, cidade do litoral de São Paulo. Topei fazer o teste e, para me adiantar, fui a uma cabeleireira de lá e pedi um penteado de anos 1940. Chegando no teste, o Jayme Monjardim falou que não tinha gostado da minha caracterização, mas acabei conseguindo o personagem!

FONTE/QUEM

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