segunda-feira, 10 de julho de 2017

Marcelo Serrado:
'Todo mundo pode ser preso, inclusive o presidente'
 Ator afirma que nunca seria presidente do Brasil e defende que todos os políticos corruptos sejam presos 

Por Leo Dias 
No ar como o vilão Malagueta em ‘Pega Pega’, Marcelo Serrado só tem o que comemorar. 
Aos 50 anos, 30 deles dedicados à televisão, o ator coleciona bons personagens na TV e no cinema. 
Consagrado como o Crô na novela‘Fina Estampa’, ele conta em entrevista à coluna que o icônico personagem deve voltar às telonas, com gravações previstas para setembro. 
Marcelo falou ainda sobre a situação atual do Brasil.
 Ele, que já participou de passeatas e acompanha de perto o momento crítico do país, afirmou que nunca seria presidente do Brasil e defende que todos os políticos corruptos sejam presos. 

Como está sendo encarar o desafio de viver o Malagueta em ‘Pega Pega’?
 O Malagueta é um grande personagem. Parece fácil de fazer, mas não é. O Vitor é cheio de nuances. Eu tenho que fazê-lo de forma muito sutil, muito pequeno e econômico. Os outros ladrões estão em uma frequência mais alta, enquanto ele fala baixo e é muito discreto, manipulador. Eu tento jogar um pouco de humor nele enquanto ele está em casa e com os amigos. Eu vou numa comédia bem sutil. O Malagueta é um personagem muito bem escrito pela Cláudia Souto, muito bem desenvolvido, o que me permite fazer vários personagens dentro do personagem. É bem interessante. Estou adorando fazer. Esse papel é um presente pra mim. 

 O que o Malagueta tem de Marcelo Serrado? 
Acho que quase nada! Eu sou um cara mais ansioso, imediatista. O Malagueta é um cara muito calculista e matemático. Ele é diferente de mim, bem pragmático. Eu não. Ele se difere muito de mim e isso é bom! 

 Você precisou fazer laboratório para viver este personagem? Como foi esse processo de criação?
 Precisei sim, fui a um hotel e fiz um laboratório com o concierge de lá. A equipe foi muito querida comigo. Tivemos um trabalho de preparação de elenco com os preparadores da Globo também. Lá no Carioca Palace tem um banner que diz assim: “Agora você vai entrar em cena, sorria!”. E é isso mesmo! Você tem que sorrir e mostrar empatia. A partir do momento que o funcionário entra no salão do hotel, ele está representando um papel. E é bem incrível isso. Tem muito a ver com a profissão de ator também. 

 Podemos considerar o Malagueta como o vilão da novela? 
Acho que sim. Ele é o grande articulador da novela, né? Ele é o cara que propõe o grande golpe. É um grande vilão, e vai fazer grandes vilanias. 

Maria Pia (Mariana Santos) também é uma vilã né? Eles vão se unir em algum momento da trama e isso vai ser bastante divertido e bem bacana. O que você faria com os R$ 40 milhões do Carioca Palace? 
Em primeiro lugar eu devolveria. Roubar, nunca! Mas se eu ganhasse 40 milhões de dólares eu iria ajudar bastante gente. Primeiramente, eu iria ajudar a minha família, garantiria o futuro dos meus filhos e daria algum dinheiro a alguma instituição de caridade. Acho que quando a gente ganha alguma coisa assim, tem que dar algo em troca. Se a vida te dá isso, você tem que dar alguma coisa em troca, né? Acho importante isso. Já sem muito, muita gente ajuda, né?

 Você já está escalado para a novela ‘Sétimo Guardião’, do Aguinaldo Silva. Já sabe alguma coisa sobre o papel? 
Não, ainda não tenho detalhes. Depois do sucesso do Crodoaldo Valério, de ‘Fina Estampa’, ele ganhou um longa no cinema.

 Existe a possibilidade do Crô retornar para as telonas em uma nova aventura? 
Com certeza! A bicha volta com tudo em Crô 2, num filmaço. A gente fez dois milhões de espectadores com o primeiro e esse segundo vai ser muito bom também.

 O público ama esse personagem, né? 
Voltamos a pedidos do público. Começamos a gravar em setembro. Muitas pessoas comentaram que você levou um tempo para se desapegar do Crô. 

Como isso aconteceu de fato?
 É, demorei um pouco sim. Mais no trejeito, no gestual e tudo... Mas depois passou. 

 Qual foi o personagem que você ainda não fez na televisão e que gostaria de fazer? 
Poxa, fiz tantos! De cabeça é difícil de falar. Vamos dizer que... o próximo personagem será melhor que o que tenho hoje, e assim sucessivamente. Amo trabalhar.

 A sua estreia em TV foi no ano de 1987 na novela ‘Corpo Santo’, da extinta Rede Manchete. Depois de 30 anos, como você analisa a sua carreira de ator?
 Tenho sido bastante feliz na carreira. Com alguns altos e baixos, mais altos do que baixos. E quando estive nas fases baixas eu soube aproveitar e soube crescer e me tornar um artista melhor, mais completo. Hoje eu me sinto mais maduro e mais seguro de mim no que eu faço e também me dá mais vontade de contar boas histórias para o público. Eu adoro a minha profissão. Sou muito apaixonado por ela. Me sinto um artista pleno e realizado com 30 anos de carreira. 

 Em uma participação no programa ‘Tamanho Família’, você contou que tem o costume de esquecer as datas e que já passou por uma saia justa com sua mulher em um voo no dia do aniversário dela. No final a tripulação e os passageiros cantaram parabéns para ela e ficou tudo certo. Consegue lembrar de outro episódio marcante? 
Eu sou aquariano, né? Então eu esqueço muita coisa. Por exemplo: aniversário da minha mãe, do irmão... então é assim. Eu esqueço, confundo. Não me lembro de uma situação tão marcante quanto ter esquecido o aniversário da minha mulher em que todos do avião tiveram que cantar parabéns comigo pra ver se eu me saía bem (risos). Foi complicado! 

 Neste ano você completou 50 anos de idade. O que mudou para você?
 O que mudou foi a calma, sabedoria, paz, mais tranquilidade da vida, não fazer as coisas correndo... hoje eu tenho mais sabedoria e também mais foco! 

Você já passou por alguma crise de idade? Dos 30, 40 ou até mesmo dos 50 anos? 
Nada que fosse substancial... Talvez quando eu fiz 40 anos pensei um pouco mais sobre a vida, sobre qual caminho seguir, se eu estava no caminho certo... Basicamente isso. 

 Como é a sua rotina longe dos estúdios de gravação? 
Eu acordo de manhã, faço exercícios, levo meus filhos na escola, jogo tênis no final da tarde e faço aulas de inglês. É um cotidiano normal que eu tento levar. 

 Você tem alguma mania?
 Sim, sempre rezo antes de sair de casa e sempre que entro em casa, olho atrás da porta. Essas são minhas manias. 

 Se pudesse voltar no tempo, o que você faria de diferente? 
Quando eu morei na Inglaterra por um ano, há muitos anos atrás, voltei correndo para um trabalho no Brasil. Se eu pudesse voltar no tempo, eu ficaria mais um tempinho lá. Quando se tem 20 anos o tempo demora a passar, então você pode curtir mais a vida sem correria. 

 Como você vê a teledramaturgia atualmente?
 Vejo que está em ascensão. Uma ebulição de coisas bem interessantes, uma busca de novos caminhos ou de maneiras distintas de se contar uma história. Na Globo eu vejo uma iniciativa muito grande de se renovar e de buscar novos caminhos. A própria criação da Casa de Roteiristas é uma iniciativa de obter novas histórias e novos roteiros e histórias dos mais variados gêneros como humor, comédia, terror e suspense.

 Qual a sua opinião sobre a crescente produção de séries e seriados no Brasil?
 Vejo muito bem feitas as séries na TV e uma grande oportunidade para os atores e para todo mundo que trabalha nesse setor aqui no Brasil. A Globo fez uma casa de Roteiristas para buscar novos roteiros de novos formatos e seriados, então eu vejo isso como um momento muito proveitoso e muito rico. 

 Se você fosse presidente do Brasil neste momento de crise, qual seria o seu primeiro decreto?
 Primeiro que eu nunca seria presidente do Brasil, porém se eu fosse presidente eu iria aprovar as dez medidas contra a corrupção. Sou contra o foro privilegiado, acho que todo mundo pode ser preso, inclusive o Presidente da Republica. Acho que todos têm que ter os direitos iguais. Outra coisa: podemos ter menos senadores e menos deputados. Temos que enxugar os cargos no legislativo. Cada deputado tem direito a empregar 40 funcionários. Acho isso totalmente desnecessário. O grande problema é que isso gera um custo muito alto para o governo, e com esse dinheiro, poderíamos estar investindo na educação, saúde e segurança pública. Os governantes têm que entender que o pleito não é um emprego. O político foi eleito para representar o povo em um período apenas. Eles têm que respeitar isso.

 Já pensou em morar no exterior? 
Já, já morei na Inglaterra e penso em passar mais uma temporada no exterior. Mas não uma temporada muito longa. Eu gosto do meu país e prefiro ficar por aqui. 

 Que mensagem você deixaria para os seus fãs?
 Obrigado pelo carinho de sempre, por acompanharem a minha carreira e as minhas redes sociais. Eu tenho um instagram que é o @marceloserrado1, e eu gosto de interagir bastante com os fãs, recebendo sempre muito carinho e respeito de todos. Espero estar sempre próximo de vocês nas telas e espero retribuir todo esse carinho que eu recebo. Muito bom ter vocês perto. Um beijo no coração!

FONTE/ODIA

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