segunda-feira, 3 de julho de 2017

Maria Fernanda Cândida:
‘Eu não busco os holofotes’
Em entrevista à coluna, atriz afirma fazer estilo ‘low profile’ 

Por Leo Dias 
 Maria Fernanda Cândido tem brilhado na pele da socialite Joyce, em ‘A Força do Querer’. 
A atriz diz que, apesar das convicções preconceituosas da personagem, nas ruas ela percebe que as pessoas entendem os pontos de vista de Joyce. 
Longe de uma novela inteira há 13 anos, Maria Fernanda afirma fazer o estilo ‘low profile’: “Eu não busco os holofotes”.
 Nas horas vagas, a atriz gosta de fazer bolos e cuidar das plantas. 
Faz 13 anos que você não faz uma novela inteira. Por que?
 Eu não estava fazendo uma novela inteira porque os meus filhos eram pequenos. Essa logística estava muito complicada de fechar. Eu trabalhei muito nesses últimos anos, fiz projetos mais rápidos, como micro séries, minisséries. Agora eles já estão maiores — um com 8 anos e o outro com 11 anos —, então eu achei que já seria possível e está dando certo. 

 Por que você escolheu fazer ‘A Força do Querer’? 
Foi uma coincidência: eu entendendo que esse era o momento que eu conseguiria fazer uma novela e o convite do (diretor Rogério Gomes) Papinha. Ele me convidou no primeiro semestre do ano passado, eu analisei a possibilidade e achei que daria. Então topei. Eu tinha uma vontade muito grande de trabalhar com o Papinha. Ele já tinha me convidado e a gente não tinha conseguido fazer pelos motivos que eu já te expliquei. A Gloria (Perez, autora)também já tinha me chamado em um outro momento e a gente não tinha conseguido fazer. Aí de repente aconteceu a união dos dois, do Papinha e da Gloria, que são pessoas que eu queria muito trabalhar. Foi uma coisa que deu certo. 

 Agora falando um pouquinho da Joyce. Você acha que ela é uma mulher fútil? 
Fútil? Não, eu não costumo usar essa palavra para definir a Joyce. Ela é extremamente conservadora, tradicionalista. É mulher que representa nessa novela ‘o velho mundo’, o pensamento que faz uma oposição ao comportamento contemporâneo, a esse jeito contemporâneo de pensar. Ela é uma mulher que valoriza muito a aparência. Joyce entende que isso é uma coisa importante na vida das pessoas porque atinge a autoestima delas, pois o mundo valoriza muito a aparência. Outro dia ela usou uma frase que diz: “o mundo vai te avaliar muito mais pelo que você parece ser, do que por aquilo que realmente é”. Ela entende a vida dessa maneira, mas fútil ela não é. 

 Ela seria superficial? 
Não vejo a Joyce como superficial. Ela tem seu sistema de valores. Ela não seria, por exemplo, uma vítima da moda. Ela não é uma consumidora obsessiva. Pelo contrário, ela sabe o que ela quer, escolhe exatamente o que quer e o que acha importante. É diferente de uma pessoa consumista, ligada na moda, que está ali à mercê de tudo isso. É diferente de uma mulher fútil que vai sair gastando todo o dinheiro do marido, que nem sabe quanto tem na conta, que não olha o contracheque... Ela é muito atenta ao patrimônio e ao que o marido ganha ou deixa de ganhar. Eu não usaria a palavra ‘superficial’, mas ela é preconceituosa, tem grande dificuldade em aceitar o novo, os riscos e as aventuras. Ela tem dificuldade com a nora, a Ritinha (Isis Valverde), que é de outra cultura. Ela gostaria de ter como nora alguém do meio dela. É um grupo de valores que ela tem para vida dela porque provavelmente foi criada assim.  

Em quem você se inspirou para fazer a Joyce? 
Não me inspirei em uma única pessoa, mas talvez em algumas pessoas que passaram pela minha vida.

 O que as pessoas estão comentando com você sobre a Joyce? 
As pessoas percebem que a Joyce tem suas limitações, mas mesmo assim gostam dela. Elas entendem a Joyce. 

 O que você tem da Joyce na sua vida real?
 Eu não tenho nada de Joyce. Sou muito diferente dela. Mas acho que tem uma coisa bacana que eu vejo na personagem: ela é muito amorosa com a família. Ela ama muito os filhos, o marido... Eu acho que esse sentimento eu compartilho, porém acho que a forma dela expressar esse afeto que é diferente da minha. O sentimento eu compartilho, mas a maneira de expressar, de viver esse amor é que é diferente.

 Joyce vai descobrir a questão sexual da Ivana (Carol Duarte). Como vai ser isso para ela?
 Eu acredito que vai ser muito difícil. Não acho que a Joyce vá entender isso com naturalidade. Eu acho que ela não vai conseguir aceitar com facilidade. Joyce tem uma implicância muito grande com a Ritinha (Isis Valverde).

 Você é uma mãe ciumenta?
 Eu nem sou uma pessoa muito ciumenta, não. 

 E você acha que de repente mais na frente você vai chegar a implicar com as suas noras, quando os meninos começarem a namorar? 
Espero que não. 

 Como seria uma nora ideal para você?
Nossa, é muito difícil. Eu não tenho como te dar um modelo. É difícil você pensar numa nora ideal. Eu acho que nem existe essa nora ideal. Falando de novo da Joyce... 

Você dá palpites no figurino dela? 
Me reuni com a (figurinista) Natália Duran em outubro do ano passado para conversar sobre esse trabalho. Acho que nós conseguimos dar uma cara a personagem juntas. A feminilidade, o refinamento... até elegância, com classe. Ela sabe se vestir com elegância. Pedi para ter as unhas nesse tom de vermelho e aí a gente colocou ela de salto alto... Tem essa simbologia de estar sempre em cima do salto, de ter essas unhas longas para mostrar que ela tem as suas garras... 

 O que você faz para manter a boa forma? 
Faço Pilates duas vezes por semana, quando dá. 

 De zero a dez: quanto você é vaidosa? 
Talvez seis... Eu não sou muito vaidosa não. 

 Você já fez alguma cirurgia plástica? 
Não. 

 Você é contra ou a favor? 
Nem contra, nem a favor. Sou a favor das pessoas serem felizes e fazer aquilo que elas acham que vai ser bom para elas. 

 Já usou botox?
 Não uso botox. Eu não gosto, não acho legal para mim. Mas acho que fica bom para muita gente também. 

 É verdade que nas horas vagas você é boleira? 
Adoro fazer bolos. 

 E de onde surgiu essa paixão?
 Não é uma paixão assim louca, mas eu faço um bolinho no final de semana. Gosto de fazer. 

 Qual o seu doce preferido? 
Chocolate.

 O que ninguém sabe sobre você? 
Eu gosto muito de plantas, gosto de cuidar das minhas plantas. 

 Você procura manter sempre a sua família um pouco mais afastada dos holofotes. Você se priva de alguma coisa por conta do assédio dos paparazzi? 
Não... Eu sigo a minha vida. Eu não busco os holofotes. 

 Quando a gente pensa em Maria Fernanda Cândido a gente pensa em muitos personagens ricos. Você tem vontade de fazer algum personagem pobre?
 Já fiz personagens pobres. Acho que essa é a primeira que eu faço rica, riquíssima. Eu já fiz a Nina de ‘Esperança’, fiz a Isa Galvão, de ‘Aquarela do Brasil’, que era uma cantora do interior que vinha para a cidade grande. Fiz uma pescadora em ‘Como uma Onda’... Acho que eu quase não fiz personagem ricas, viu? Acho que fiz mais personagens pobres do que ricas.

 Você é formada em terapia ocupacional. Você tem projetos para integração de deficientes físicos e mentais? 
Desenvolvi alguns trabalhos nesta área na época da faculdade. Depois ficou difícil conciliar com o trabalho de atriz. 

Deixa um recadinho para os fãs do seu trabalho? 
Queria deixar um abraço para todo mundo que está acompanhando e curtindo a novela ‘A Força do Querer’.

FONTE/ODIA

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