quinta-feira, 3 de agosto de 2017

 Wellington Muniz:
 "Muitas vezes não tinha cachê e meu pagamento era uma pizza"
 No ar com 'Ceará Fora da Casinha', no Multishow, o humorista fala sobre conquistas profissionais e o sucesso da filha, Valentina, nas redes sociais: "Sou um pai babão" 

Por Beatriz Bourroul
 Wellington Muniz, o Ceará, está fazendo o maior sucesso com o programa Ceará Fora da Casinha, exibido pelo canal pago Multishow, e, aos 44 anos, ainda arranja fôlego para viajar pelo país com o espetáculo Ceará Dando as Caras.
 Sucesso na TV e nos palcos, o humorista viu ainda sua popularidade crescer com o sucesso que faz com os vídeos em família nas redes sociais. 
Mostrando o dia a dia na companhia da mulher, a apresentadora Mirella Santos, e da filha Valentina, que completa 3 anos no dia 10 de agosto, não esquece o passado de dificuldades e faz planos para o futuro profissional.
 Morando há 20 anos em São Paulo, ele carrega no apelido, que já virou nome artístico, sua origem: o estado do Ceará.
 "Comecei fazendo shows aos 16 anos em Fortaleza. Muitas vezes, não tinha cachê e o pagamento era uma pizza e um refrigerante", conta. 
 Além do Ceará Fora da Casinha, no Multishow, você viaja com o espetáculo Ceará Dando as Caras. Você tinha ficado um tempo longe dos palcos, não? 
O Ceará Dando as Caras tem muita música e interação com a plateia. Canto sucessos de Elvis Presley, Tina Turner, Roberto Carlos... Em média, faço 60 vozes. Estava há 10 anos fora dos palcos. 

 Quais os personagens mais pedidos? 
O Silvio Santos e a Gabi Herpes. As pessoas que me conhecem Silvio e Gabi, conseguem ver uma gama de personagens muito maior. Neste espetáculo, pensamos minuciosamente em tudo. É para o público levar a família. As apresentações não são idênticas. Começo o show de cara limpa e tento colocar piadas atuais. Por isso, cada show é diferente. O roteiro é meu e o do Pedro Aydar, que também dirige a peça. Sou de uma geração old school e neles conto um pouco da minha trajetória. Falo que vim de Fortaleza, no Ceará, e sigo contando um pouco sobre a minha trajetória. Está tudo interligado. Estreamos em Salto, cidade do interior de São Paulo, em outubro. Começamos a fazer o show sem grandes pretensões, em casa com 50 pessoas. Com os pedidos estamos viajando o Brasil todo, com sessões esgotadas e, dependendo do local, já levamos 2600 à plateia. 

 O começo da sua carreira tinha outra realidade. Mesmo com os eventuais perrengues, sempre acreditou que fosse dar certo? 
 Sempre gostei do contato com o público. Comecei fazendo shows aos 16 anos em Fortaleza. Muitas vezes, não tinha cachê e o pagamento era uma pizza e um refrigerante. O contato com quem me assiste é importantíssimo. Gosto de bater um papo com o público. 

Com compromissos na TV e no teatro, consegue ter tempo para você? 
Quando estava no Pânico, não tinha tempo para mim, nem para a família. Logo, não daria para fazer os shows. Estou no Multishow desde 2015 e consegui ter mais tempo de ir para estrada. O bacana de estar nos palcos é que o feedback é imediato. Tem plateia que começa logo para cima, outras que você tem que conquistar ao longo da peça. Estou com a agenda lotada e agradeço por estar trabalhando bastante. 

 O Ceará fora da casinha é um sucesso. A que atribui isso?
 Quero ser melhor a cada programa. Por exemplo, continuo interpretando Gabi Herpes. Nesta temporada, a Gabi não está apenas no estúdio. Também temos externas com a personagem. Estou fazendo o que gosto. Meu contrato com o Multishow é até 2018. É uma casa que gosto muito, consigo participar de tudo. Figurino, maquiagem... Gosto de estar bem acompanhado, com pessoas competentes a meu lado. Os roteiristas do Multishow nos dão um baita suporte. 
 Valentina, sua filha, faz o maior sucesso nas redes sociais. Já dá para imaginá-la na carreira artística? 
Nossa filha é linda. Recebo muito carinho da galera que a acompanha nas redes. Ela ainda tem 2 anos – fará 3 anos agora em agosto – e já bateu 1 milhão de seguidores. Tenho o maior cuidado de não banalizar, de não ficar postando tudo... Não sei o caminho que ela vai seguir. Quero que ela seja feliz. 

Como você é como pai? 
Sou um pai babão. Quero que ela seja feliz. Isso é o principal. Agora, ela já está na escolinha. Matriculamos a Valentina em uma escola bilíngue. Ela tem uma grande facilidade para aprender. Ela já fala umas frases elaboradas. Fico bobo com as frases elaboradas da Valentina e gosto de poder dividir isso. A Valentina é muito fofa e tem personalidade. E a danada, ainda por cima, é leonina (risos). 

 Nas redes sociais, você e a Mirella chamam a atenção pelo companheirismo. 
 Somos muito e o que mostramos na internet é de verdade. A gente se ajuda muito. Tenho os meus trabalhos, ela tem os dela. Ficamos espantados com o crescimento do #MiNaReal, canal da Mirella. Ela faz com gosto e me apoia profissionalmente, nos meus desejos da carreira. Além de ser uma mãezona para a Valentina, companheirona, leva na escola, nos divertimos juntos... Não é por nada, mas formei uma família linda. 

 Você falou que tem desejos profissionais. Quais oportunidades gostaria de ter?
 Gostaria de poder fazer mais cinema. Participei de Eu fico loko, do Christian Figueiredo, um longa-metragem com pegada cômica. Quero ter novos projetos. Não só comédia. Quero fazer drama, policial, ficção... Quero sair da zona de conforto. A gente tem que se desafiar, tentar superar os próprios limites. Nunca é tarde para fazer algo diferente. Em 2002, fui estudar teatro na Oficina de Atores do Nilton Travesso. Fiz seis meses de curso. Era autodidata até então. Ele me falou para eu me formar na escola dele. 

 Como é trabalhar com comédia? 
Sou um privilegiado por viver de comédia. Eu vivo de humor. Tudo o que eu consegui foi fazendo humor. A galera não sabe o trabalho que dá fazer humor. Fazer humor dá muito trabalho. Para fazer humor tem que ser sério. É até um paradoxo, mas é preciso ter seriedade profissional. 

 Quando olha para o futuro, onde se imagina? 
Tenho muito orgulho de ter vindo de Fortaleza. É muito difícil viver em um lugar que não o seu. Quero continuar fazendo humor e quero continuar com meu espaço na TV. hoje, aos 44 anos, percebo que estou colhendo o que semeei. Moro em São Paulo desde 1997. Neste ano, mais precisamente em outubro, completo 20 anos em São Paulo. Quase metade da minha vida é aqui. Tenho uma gratidão enorme por São Paulo.
FONTE/QUEM

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